Especialistas alertam que dados dispersos sabotam eficácia da inteligência artificial nas empresas

Com a explosão da inteligência artificial, a dispersão dos dados virou um problema grave para as empresas, que precisam urgente consolidar e governar informações para evitar análises falhas.
A disseminação da inteligência artificial (IA) nas empresas brasileiras não vem acompanhada do preparo necessário para lidar com dados fragmentados e desorganizados, segundo especialistas ouvidos no podcast É Mais que Tech, realizado pela Senior Sistemas em parceria com o Conexão InfoMoney. O cenário atual mostra que, quanto mais agentes de IA trabalham interpretando informações, maior é o problema da dispersão dos dados, que compromete o contexto e a qualidade das análises.
Eduardo Carone, CEO da Atlas Governance, destaca que manter bancos de dados separados reduz drasticamente a eficácia dos modelos automatizados. “A fragmentação da informação é um problema grave que ameaça decisões assertivas”, afirma. Para ele, a integração dos sistemas voltou a ser prioridade urgente diante da nova dinâmica digital nas corporações.
O excesso de dados brutos não se traduz em respostas eficientes, reforça Taiolor Morais, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Senior Sistemas. Ele enfatiza que os dados precisam se transformar em informação, o que só é possível com arquitetura focada no negócio, governança rigorosa, controle de acesso e políticas de privacidade sólidas.
Além dos desafios operacionais, surge o risco da “Shadow AI”, expressão para o uso não autorizado de ferramentas digitais pelos colaboradores, um problema que agrava a segurança da informação nas corporações.
No topo da hierarquia, a automação, embora poderosa, não pode eximir os executivos do dever de julgamento crítico. Carone critica a banalização da IA em relatórios extensos e desnecessários. “Hoje existe a ‘linguiça artificial’, onde apresentações enormes são geradas sem agregar valor real”, observa. Para evitar desperdício de recursos e tempo, recomenda o uso da IA como copiloto para síntese e aumento de produtividade, mantendo humanos no centro das decisões — conceito conhecido como “human-in-the-loop”.
Com a IA atuando como agente autônomo em rotinas empresariais, a responsabilidade sobre sua gestão se equipara à dedicada aos colaboradores humanos. Carone propõe tratar agentes digitais com descrição de função, treinamento e onboarding adequados.
Essa transformação tecnológica impacta diretamente a organização do trabalho e trajetórias profissionais, especialmente em áreas técnicas como programação. Morais ressalta que a automação libera espaço para que profissionais ocupem papéis mais estratégicos, focados em design, negócios e definição de metas, elevando o capital intelectual da força de trabalho.
O alerta é claro: sem concentração, governança e controle, a promessa da inteligência artificial pode se transformar em ruído improdutivo e riscos para os negócios. A era da IA demanda mais disciplina e liderança do que nunca para garantir decisões inteligentes e seguras.








