Dois anos depois do fogo que devastou áreas-chave, município mantém esforços firmes para restaurar ecossistema ameaçado

Dois anos após incêndio devastar o Cinturão Verde de Cianorte, ações coordenadas de recuperação ambiental avançam com plantio e manejo, sob vigilância do IAT.
Dois anos depois do incêndio que atingiu o Cinturão Verde de Cianorte, no Noroeste do Paraná, as autoridades locais intensificam os esforços para recuperar a vegetação perdida. O fogo, que devastou áreas particulares e trechos do Parque Municipal Cinturão Verde entre 18 e 23 de agosto de 2024, causou danos significativos na região da Bacia do Córrego Imbituva.
Desde o controle das chamas, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente não se acomodou. Elaborou e protocolou junto ao Instituto Água e Terra (IAT) um Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD), com uma área de aproximadamente 140 mil metros quadrados dividida em sete pontos que sofreram diferentes níveis de destruição.
A estratégia adotada varia conforme a intensidade do incêndio: em quatro áreas menos afetadas, a vegetação está sendo deixada para regeneração natural, enquanto nos três pontos mais críticos houve intervenção com abertura de aceiros e plantio de cerca de 6,5 mil mudas de árvores nativas desde 2024. Além disso, o município desenvolveu um Plano Municipal de Prevenção e Contingência de Incêndios Ambientais para evitar novas tragédias.
O trabalho vai além do plantio: equipes realizam coroamento das mudas para controlar a concorrência com ervas daninhas, além de manejo contra pragas e manutenção das estruturas de isolamento. Curiosamente, parte das árvores queimadas foi mantida em pé para servir de poleiro natural para aves e contribuir para a dispersão de sementes, facilitando a recuperação da fauna local.
Relatório semestral assinado pelo engenheiro florestal Lorenzo C. M. Castanheri destaca que, apesar dos danos, o município tem cumprido o Termo de Compromisso firmado com o IAT. Uma vistoria recente, realizada em 12 de agosto de 2026, comprovou o plantio adequado e a preservação da vegetação sobrevivente. Nos setores destinados à regeneração natural, já surgem rebrotações e exemplares com copas estabilizadas.
Entretanto, o processo ainda é delicado e exige acompanhamento rigoroso. A Informação Técnica nº 266/2026, do engenheiro agrônomo César Júnior Maia, recomenda a continuidade das ações de manejo, incluindo roçada, controle de espécies exóticas e combate a formigas e trepadeiras para consolidar a recuperação completa do ecossistema.
O desafio é garantir que o Cinturão Verde de Cianorte não apenas se recupere, mas retome seu papel estratégico para o equilíbrio ambiental da região, em meio a um cenário que expõe a vulnerabilidade dos biomas frente a incêndios e a importância do comprometimento público e técnico para a preservação.
Fonte: bemparana.com.br








