Estatal enfrenta rombo de R$ 10 bilhões em 2026 e aposta em PDV e venda de imóveis para tentar equilibrar contas

Os Correios anunciam novo plano de demissão voluntária para cortar até 7 mil vagas e frear prejuízo crescente, que pode atingir R$ 10 bilhões em 2026.
Os Correios estão diante de uma crise financeira que só se agrava, com prejuízo recorde de R$ 3,1 bilhões no primeiro trimestre de 2026, 82% maior que no mesmo período do ano anterior. A estatal projeta fechar o ano com um déficit de R$ 10 bilhões, o que força um plano radical de reestruturação para evitar o colapso.
O mais recente movimento é a abertura de uma nova fase do Plano de Demissão Voluntária (PDV), que pretende cortar até 7 mil empregos, concentrados em centros de tratamento, armazenagem de carga e agências consideradas deficitárias — cerca de mil pontos pelo país devem ser extintos até setembro de 2026. O objetivo é reduzir custos com folha de pagamento e despesas operacionais, buscando equilibrar o caixa.
Indenizações robustas, que vão de R$ 24,4 mil a R$ 459 mil, são oferecidas para incentivar a adesão, com cálculo baseado em tempo de serviço, idade e benefícios vinculados à aposentadoria. O pagamento ocorre de forma única e isenta de Imposto de Renda e encargos trabalhistas como FGTS.
O PDV anterior, realizado entre fevereiro e março de 2026, ficou abaixo da meta, com 3,1 mil participantes frente a uma meta de 10 mil, mas gerou economia significativa. Agora, sem uma meta rígida, a estatal tenta ampliar o corte enquanto também planeja levantar cerca de R$ 1,5 bilhão com a venda de imóveis desativados.
A direção dos Correios reconhece que a crise financeira bilionária é resultado da queda nas receitas postais e do aumento das obrigações judiciais. Para atravessar esse período, a empresa precisou recorrer a um empréstimo de R$ 12 bilhões garantido pelo Tesouro Nacional, além de renegociar contratos e parcelar tributos.
O plano de reestruturação se divide em três fases: recuperação financeira via corte de despesas, consolidação do modelo de negócios e parcerias privadas, e finalmente, crescimento com retomada dos investimentos em logística a partir de 2027.
Essa tormenta evidencia o desafio da estatal em se adaptar à nova realidade do mercado postal e logístico, sob forte pressão para conter prejuízos e evitar um colapso institucional que comprometa um serviço essencial para o país.
Fonte: bandab.com.br









