Portos do Sul e Norte do Brasil viram nova rota para esquemas bilionários das facções criminosas

Com a forte fiscalização no porto de Santos, o tráfico internacional do PCC e do CV se desloca para os portos do Paraná e do Norte, envolvendo complexos esquemas e máfias europeias.
A intensificação da fiscalização no porto de Santos (SP), o maior da América Latina, tem forçado as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) a migrarem seus esquemas bilionários de tráfico internacional de drogas para os portos do Paraná e do Norte do país. Essa mudança de rota revela uma adaptação estratégica dos criminosos para driblar as medidas de segurança cada vez mais rigorosas.
Apesar do porto de Santos contar com 17 scanners, um sistema robusto de videomonitoramento com 4.400 câmeras, drones e captação de ondas de calor, ainda existem vulnerabilidades, especialmente na área de fundeio marítimo. Entretanto, o aperto na fiscalização no maior terminal portuário da América Latina torna inviável o modus operandi tradicional, o que empurra os operadores do tráfico a atuarem em outros terminais, como Paranaguá, no Paraná, e portos no Norte do país.
Interceptações da Polícia Federal revelam conversas que indicam o reconhecimento interno entre os criminosos sobre o aumento da vigilância em Santos, fazendo com que busquem o porto do Paraná como alternativa para suas operações. No entanto, a atuação nessas novas rotas não é menos complexa: envolve uma cadeia sofisticada com mergulhadores, funcionários corrompidos de empresas de logística e especialistas em adulteração de contêineres.
Além das facções brasileiras, os esquemas contam com reforço de máfias europeias, como a italiana ‘Ndrangheta e grupos albaneses, que movimentaram cerca de R$ 4 bilhões em seis anos, segundo investigações da PF. A cooperação internacional entre criminosos fortalece a adaptação das rotas de tráfico, com cargas rastreadas para monitoramento constante.
No Paraná, a PF identificou tentativas de envio de grandes quantidades de cocaína, enquanto em Santa Catarina, portos como Navegantes e Itajaí também têm sido usados, às vezes por facções associadas ao CV, como o Primeiro Grupo Catarinense. Apesar de rivais, as facções parecem manter uma coexistência estratégica, respeitando territórios para não prejudicar os negócios.
A Receita Federal reconhece o desafio e destaca a necessidade de aperfeiçoar a análise de risco e o intercâmbio de informações para se adaptar às mudanças nas rotas do tráfico. No entanto, a dispersão geográfica dessas operações e o envolvimento de múltiplos portos em todas as regiões costeiras do país dificultam o controle total.
O endurecimento do controle em Santos é uma vitória institucional, mas a migração do tráfico para outros portos revela a resistência e adaptação do crime organizado, que segue atuando com vultuosa capacidade financeira e aparato operacional robusto. Essa realidade impõe um desgaste contínuo às forças de segurança e exige respostas mais integradas e eficientes para conter o avanço do tráfico internacional no Brasil.
Fonte: bemparana.com.br









