Estudo da UFPR e parceiros revela impacto devastador do vírus na população da perereca-de-folha, espécie endêmica da Mata Atlântica

Reprodução da perereca-de-folha no Paraná despenca 83% entre 1999 e 2026, após surto do ranavírus que mata anfíbios em massa, segundo estudo da UFPR e parceiros internacionais.
A perereca-de-folha (Phyllomedusa distincta), espécie endêmica da Mata Atlântica brasileira, enfrenta um colapso em sua reprodução no Paraná, com queda de 83% entre 1999 e 2026. A causa principal é um surto do ranavírus do clado FV3, capaz de dizimar populações de anfíbios, conforme destaca estudo publicado no periódico Biodiversity and Conservation. A pesquisa é resultado de uma colaboração entre o Laboratório de Interações Biológicas e o Departamento de Biologia Celular da UFPR, além de instituições internacionais da Espanha, Reino Unido e Estados Unidos, e da Unicamp.
Vírus letal e ameaça à biodiversidade
O ranavírus detectado nas pererecas foi identificado por testes moleculares e análise histológica dos tecidos, confirmando sua letalidade para a espécie. Embora fatores climáticos, como a umidade, também influenciem, o impacto do vírus se sobressai como responsável pelo declínio alarmante. Esta é a primeira comprovação de mortalidade em massa causada por ranavírus em anfíbios nativos da América do Sul, um dado que acende o alerta para a conservação da fauna local.
Anfíbios como sentinelas ambientais e peças-chave no ecossistema
Os anfíbios, pela dupla vida em ambientes aquáticos e terrestres, são naturalmente sensíveis às alterações ambientais. Cerca de 40% deles enfrentam risco de extinção, reforçando seu papel de sentinelas da saúde dos ecossistemas. Além disso, pererecas e sapos controlam populações de insetos transmissores de doenças e servem de alimento para aves e outros predadores, mantendo o equilíbrio das cadeias alimentares. O surto de ranavírus, portanto, não é só uma crise para a espécie, mas também uma ameaça ao equilíbrio ambiental do Paraná.
Este cenário exige atenção urgente das autoridades ambientais e científicas para medidas de monitoramento e conservação que evitem o agravamento do quadro e garantam a sobrevivência da perereca-de-folha e dos ecossistemas que ela ajuda a sustentar.
Fonte: bemparana.com.br









