Mudanças fiscais obrigam restaurantes a reavaliar preços e fluxo de caixa diante de impacto direto na rentabilidade

Com a Reforma Tributária vigente, bares e restaurantes encaram uma redução significativa no crédito tributário e o novo sistema de split payment, que compromete o capital de giro e pressiona preços em meio a inflação dos insumos.
Por Vinicius França
A reforma tributária em vigor representa uma guinada difícil para bares e restaurantes brasileiros, um setor já sufocado por margens estreitas e inflação crescente nos insumos. A principal novidade operacional é o split payment, mecanismo que retém na origem a parcela dos tributos, reduzindo imediatamente o dinheiro disponível no caixa das empresas.
Transição fiscal que desmonta o colchão financeiro
Antes, o empresário recolhia o imposto dias depois da venda, permitindo o uso desse capital para financiar custos diários. Agora, o valor do tributo é segregado na própria venda, o que pode cortar até 16,8% do faturamento bruto no ato da transação. Para o setor, que vive de alta rotatividade e margens apertadas, esse golpe no fluxo de caixa é estrutural e exige planejamento urgente.
Alíquotas e regimes que mexem no cardápio e no preço
A extinção de PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS e a criação da CBS e IBS unificadas trazem uma alíquota padrão de 28%, mas o segmento de alimentação preparada foi contemplado com redução de 40%, ficando em 16,8%. Porém, bebidas alcoólicas, alimentos revendidos sem preparo e fornecimento para pessoa jurídica continuam sujeitos à alíquota maior. Essa distinção obriga bares e restaurantes a revisar mix de produtos, estratégias de precificação e posicionamento no mercado.
Inflação alta e reajuste de preços limitado
Enquanto o custo da cesta básica e insumos essenciais dispara – a carne bovina quintuplicou em 20 anos, por exemplo – o repasse ao consumidor final não acompanha o ritmo da inflação. Pesquisa da Abrasel revela que 31% dos estabelecimentos não reajustaram preços no último ano e 58% aplicaram aumentos abaixo da inflação oficial. A combinação de pressão de custos e nova carga tributária sem crédito pleno é receita para sufoco financeiro.
O que os empresários devem fazer agora
Primeiro, entender o enquadramento tributário atual e o impacto das novas regras, especialmente para quem está no Simples Nacional, região onde os créditos tributários não são integralmente aproveitados. Segundo, ajustar o cardápio conforme as alíquotas diferenciadas para não distorcer o preço e a margem por produto. Terceiro, replanejar o fluxo de caixa para compensar a ausência do prazo de recolhimento que funcionava como colchão financeiro, seja por reservas, renegociação com fornecedores ou linhas de crédito.
Riscos e oportunidades no horizonte
Essa reforma tem potencial para reduzir a carga tributária de alguns estabelecimentos que hoje pagam mais por falta de créditos, mas traz riscos concretos à liquidez e sobrevivência dos menos preparados. O split payment, que entra em vigor em 2027 com transição até 2033, é uma mudança profunda que o setor não pode ignorar. O empresário que não se adaptar rapidamente pode se ver afogado por uma conta que já vinha apertada.
Vinicius França é publicitário e entusiasta da gastronomia curitibana, com mais de 15 anos de experiência conectando pessoas e valorizando a cultura local através da culinária.*
Fonte: xvcuritiba.com.br









