Programa Move Brasil sofre críticas internas por adesão discreta dos bancos privados; governo busca ajustes para expandir financiamento

Ministro da Fazenda admite baixa adesão dos bancos privados no programa de crédito para motoristas de aplicativo e taxistas, sinaliza mudanças para ampliar participação e integrar dados de renda.
O Programa Move Brasil, lançado em julho para oferecer linhas de crédito com juros reduzidos a motoristas de aplicativos e taxistas, enfrenta resistência dos bancos privados, que mostram apetite menor para financiar o setor, segundo admitiu o ministro da Fazenda, Dario Durigan. Em reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ministros, Durigan revelou que a equipe econômica estuda mudanças legais e operacionais para incentivar a participação do setor privado e ampliar a oferta de crédito.
Bancos públicos dominam, privados resistem
Durigan destacou que o Banco do Brasil e a Caixa vêm assumindo a maior parte das operações, enquanto os bancos privados se mostram reticentes, mesmo com garantias do governo. “Estamos em contato para entender por que a adesão não atingiu as expectativas iniciais”, afirmou. O programa financia carros novos e seminovos, motocicletas e bicicletas para uso profissional, com teto de R$ 150 mil para veículos novos.
Integração com plataformas e novas regras
Entre as propostas em análise está aprimorar a integração das instituições financeiras com as plataformas digitais usadas pelos motoristas para facilitar o acesso a dados de renda e agilizar a concessão dos créditos. Durigan sinalizou que ajustes legais no programa também estão sendo considerados para superar barreiras que limitam a abrangência do programa.
Avaliação positiva, mas resultados aquém
Ainda que o volume de financiamentos esteja aquém do esperado, o ministro classificou o desempenho como razoavelmente satisfatório e afirmou que o governo seguirá negociando melhorias. A iniciativa faz parte de um conjunto maior de medidas de crédito discutidas na mesma reunião, que abordou também linhas para caminhões, ônibus e motocicletas, além do Programa Desenrola e mecanismos de apoio a empresas e trabalhadores.
Contexto diplomático e medidas econômicas
Na mesma reunião, foi debatida a resposta do Brasil às tarifas impostas pelos Estados Unidos, com alinhamento para manter as negociações diplomáticas abertas e avaliar medidas de reciprocidade de forma cautelosa, sem prejudicar o diálogo bilateral. O governo também considera ampliar regimes tributários especiais para setores impactados, dentro do programa Brasil Soberano, buscando fortalecer a competitividade exportadora diante das barreiras externas.








