Ex-assessor de Sergio Moro é citado em investigação da PF sobre fraudes no INSS


Operação Sem Desconto revela brechas criadas durante gestão no Ministério da Justiça que teriam favorecido entidades suspeitas em esquema bilionário.

As investigações da Polícia Federal sobre o escândalo de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) continuam revelando novos nomes ligados ao caso. Documentos da Operação Sem Desconto apontaram a participação de um ex-assessor do senador Sergio Moro (União Brasil-PR) no contexto que possibilitou o avanço do esquema.

sergio moro
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Segundo apuração publicada por Lauro Jardim, em O Globo, o ex-colaborador é mencionado em registros referentes a mudanças administrativas realizadas quando Moro comandava o Ministério da Justiça (2019-2020), no governo de Jair Bolsonaro. Essas alterações na regulação de sindicatos e associações patronais teriam aberto espaço para o surgimento de entidades de fachada, que mais tarde se transformaram em instrumentos do golpe contra aposentados e pensionistas.

Esquema bilionário contra aposentados

A “Farra do INSS”, como vem sendo chamado o caso, consistia em descontos indevidos nos benefícios de aposentados, gerando prejuízos estimados em R$ 4 bilhões. As entidades suspeitas cobravam contribuições não autorizadas, muitas vezes apresentando-se como associações assistenciais.

Embora Sergio Moro não figure como investigado direto, a PF considera que medidas tomadas durante sua gestão foram a “gênese” da estrutura que facilitou a prática criminosa. Essa conexão levou o inquérito ao Supremo Tribunal Federal (STF), ficando sob a relatoria do ministro Dias Toffoli.

Outros nomes citados

Além do ex-assessor de Moro, também aparecem nos autos o deputado Fausto Pinato (PP-SP) e o ex-ministro Onyx Lorenzoni (PP-RS). No caso de Onyx, a Polícia Federal identificou movimentações financeiras suspeitas em 2022, durante sua campanha ao governo do Rio Grande do Sul. Os recursos teriam sido intermediados por uma associação sob investigação. O ex-ministro classificou as acusações como “fantasiosas” e disse ter recebido apenas uma doação regular de campanha.

Pinato, por sua vez, afirmou não ter ligação com o esquema. Segundo ele, seu nome foi incluído apenas porque alugou um escritório no mesmo endereço de uma empresa investigada, o que classificou como “coincidência infeliz”.

Moro reage às acusações

Em nota, Sergio Moro negou qualquer vínculo entre sua gestão e as irregularidades. Segundo o senador, “o Ministério da Justiça jamais tratou de contribuições associativas ou descontos em aposentadorias”. Para ele, seu nome foi incluído apenas para “desviar a atenção” de falhas do atual governo na condução da Previdência.

Ainda assim, investigadores destacam que as mudanças estruturais feitas no período em que ele comandava a pasta fragilizaram sindicatos tradicionais e favoreceram o avanço de entidades sem representatividade real.

Conexões no STF

As menções ao ex-assessor também foram relacionadas a outro inquérito que envolve o nome de Sergio Moro, no qual ele é acusado de tentativa de extorsão pelo advogado Rodrigo Tacla Duran. Atendendo a pedido da PF, o ministro Dias Toffoli determinou o compartilhamento dos inquéritos ligados à Operação Sem Desconto.

Contexto político e impacto

O caso aumenta a pressão política sobre Sergio Moro, que já enfrenta dificuldades para consolidar sua imagem no Senado após deixar a magistratura e o Ministério da Justiça. Embora ele insista em negar qualquer relação com as fraudes, o fato de um ex-assessor aparecer em documentos oficiais e de as brechas administrativas terem ocorrido em sua gestão reforça questionamentos sobre sua responsabilidade indireta.

A Operação Sem Desconto deve continuar avançando sobre figuras com foro privilegiado, o que garante que o caso permaneça no STF. Enquanto isso, aposentados e pensionistas, principais vítimas do esquema, seguem aguardando medidas de ressarcimento.

Uma crise de confiança

As revelações ampliam a percepção de desconfiança em relação à condução de políticas sensíveis durante o governo Bolsonaro, especialmente em áreas que afetam diretamente a população mais vulnerável. Ainda que não haja, até o momento, provas de participação direta de Sergio Moro, o episódio mostra como falhas administrativas e decisões políticas podem abrir caminho para fraudes de grande escala.

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