Justiça anula quebra de sigilo de celular de Jairinho por incompetência judicial


TJ-RJ reconhece erro e suspende uso de dados apreendidos após julgamento do caso Henry Borel

Justiça anula quebra de sigilo de celular de Jairinho por incompetência judicial
Depoimento do Dr Jairinho no TJ durante depoimento sobre a morte do menino Henry Borel no Rio de Janeiro

TJ-RJ anula quebra de sigilo do celular apreendido com Jairinho. Decisão aponta incompetência do juiz que autorizou a medida após julgamento do caso Henry Borel.

A Justiça do Rio de Janeiro deu um passo atrás numa medida que poderia complicar ainda mais a situação de Jairinho. A 7ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) anulou, por unanimidade, a quebra de sigilo e a extração de dados do celular apreendido com o ex-vereador em 1º de julho de 2026, sob o argumento claro de incompetência do magistrado que autorizou o procedimento.

A controvérsia não é menor: o pedido foi concedido pela 2ª Vara Criminal da Capital após o episódio da apreensão do aparelho na cela onde Jairinho cumpre pena, mas o tribunal entendeu que, após o julgamento pelo Tribunal do Júri e o início da execução provisória da pena, somente a Vara de Execução tem competência para autorizar tais medidas.

Assim, o celular deverá ser devolvido à guarda da 34ª Delegacia de Polícia (Bangu), e qualquer nova análise do conteúdo digital só poderá ocorrer mediante decisão da Vara de Execução, respeitando o princípio do juiz natural e a correta distribuição das competências judiciais.

A defesa de Jairinho, representada pelo advogado Rodrigo Faucz, vê na decisão um reconhecimento oficial da incompetência do juízo que autorizou a quebra de sigilo, reforçando a tese de parcialidade da juíza responsável e embasando pedidos para anular a sessão do Tribunal do Júri que condenou o réu.

É importante destacar que a medida anulada incluía a extração completa dos dados do celular, sem delimitação clara, o que foi criticado como uma investigação exploratória, ameaçando garantias legais e processuais.

A decisão suspende imediatamente qualquer uso ou análise dos dados coletados com base na autorização anulada, mas não impede que um novo pedido seja feito, desde que apresentado ao juízo competente e devidamente fundamentado.

Jairinho foi condenado em 4 de junho de 2026 pelo Tribunal do Júri a 43 anos de prisão pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo pela morte do menino Henry Borel, seu enteado. Outros recursos seguem tramitando no sistema judicial.

Justiça resgata ordem legal na fase de execução penal

A decisão da 7ª Câmara Criminal ressalta que, após a condenação e início da execução provisória da pena, o processo muda de fase e as competências judiciais também. Autorizações para diligências como a quebra de sigilo devem ser analisadas pela Vara de Execução, responsável pela fase penal, e não pelo Tribunal do Júri, que atua na fase de julgamento.

Defesa capitaliza anulação para atacar imparcialidade

Para a defesa, a anulação da quebra de sigilo é mais um elemento para questionar a atuação da juíza do caso, alegando falta de imparcialidade, o que pode levar à anulação do julgamento e reabertura dos debates.

Caso Henry Borel segue em tensão judicial

Não apenas Jairinho, mas também Monique Medeiros, mãe de Henry, teve sua condenação revisada e penas definidas. O caso permanece sob intensa análise e recursos, com impacto direto sobre a credibilidade do sistema de Justiça e o combate à impunidade em crimes de grande repercussão.


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