Presidente do Senado usa diálogo com o Planalto para acelerar proposta polêmica da escala 6×1 e outras prioridades do governo

Após retomar diálogo com Lula, Alcolumbre determina avanço no Senado da proposta para acabar com a escala 6×1, além de outras pautas de segurança pública e mineração estratégica.
O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), deu um recado claro de que pretende acelerar no Senado a votação da polêmica proposta para acabar com a escala 6×1, uma das bandeiras do governo Lula. O anúncio veio logo após uma série de encontros entre Alcolumbre e o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), demonstrando uma retomada do diálogo entre o Legislativo e o Executivo, que vinha desgastado desde a rejeição da indicação do advogado-geral da União ao STF em abril.
Em nota divulgada na sexta-feira (14), Alcolumbre informou que determinou o avanço de três projetos prioritários: a PEC 221/2019, que prevê o fim da escala 6×1; a PEC 18/2025, que amplia as competências da União na segurança pública; e o PL 2780/2024, que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.
“Na última quarta-feira (12), tive uma importante conversa institucional com o presidente Lula. Foi um diálogo maduro, franco e republicano, fundamental para compreender as prioridades do Governo e tratar da agenda legislativa de interesse do nosso país”, afirmou o senador. Ele ressaltou ainda sua responsabilidade como presidente do Congresso Nacional de assegurar o encaminhamento das matérias ao Parlamento, respeitando o papel de cada senador.
Alcolumbre frisou que as propostas são de alta complexidade e seguirão o rito regimental no Senado, passando pelas comissões para análise aprofundada. Ele destacou que o diálogo entre os Poderes é essencial para o Brasil, lembrando que cabe ao Executivo apresentar suas prioridades e ao Congresso analisá-las com independência.
O gesto do presidente do Senado demonstra uma pressão para que o Legislativo acelere temas caros ao governo Lula, como o fim do regime de trabalho 6×1, que tem gerado polêmica entre trabalhadores e empresários. O movimento também sinaliza um esforço para reconstruir uma relação mais próxima entre o Planalto e o Senado após meses de desgaste político e institucional.
Nos últimos dez dias, Alcolumbre se encontrou pelo menos três vezes com Lula, incluindo um jantar articulado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, demonstrando que a cúpula do Senado voltou a dialogar diretamente com o Executivo para conduzir a pauta legislativa.
Avanço rápido na agenda de Lula
Com a decisão de Alcolumbre, as propostas agora seguem para as comissões competentes do Senado, onde devem ser discutidas e votadas. A pressão do Planalto para aprovação desses temas coloca em evidência o papel do Congresso como arena de disputa das prioridades do governo e dos impactos que essas mudanças terão no cenário político e social.
O fim da escala 6×1 é uma reivindicação antiga do governo e dos trabalhadores, mas enfrenta resistência de setores empresariais e parte da base parlamentar, que temem o aumento de custos e impactos na produtividade. A mobilização do presidente do Senado para levar a pauta adiante indica um alinhamento temporário com o Executivo, mas não elimina as tensões políticas que cercam o tema.
Nesse contexto, a interlocução direta entre Alcolumbre e Lula representa não só um esforço para superar o impasse, mas também uma sinalização clara de que o Senado não estará somente na defensiva, mas atuará como ator ativo na definição da agenda legislativa do governo.









