Candidato do PL promete retomada do programa com juros baixos e digitalização dos serviços públicos

Flávio Bolsonaro, candidato do PL, quer retomar o Programa Casa Verde e Amarela com meta de financiar 2,5 milhões de moradias e garantir a menor taxa de juros do mercado. Plano inclui digitalização total dos serviços públicos federais e promessa de 'revogaço' regulatório para simplificar regras empresariais.
Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, lançou um plano ambicioso para a habitação popular com o retorno do Programa Casa Verde e Amarela, programa que substituiu o Minha Casa, Minha Vida durante o governo Jair Bolsonaro. O objetivo é financiar 2,5 milhões de moradias e garantir “a menor taxa de juros possível” no financiamento da casa própria. Essa promessa sinaliza uma tentativa clara de retomar e expandir políticas habitacionais associadas à gestão Bolsonaro, buscando conquistar o eleitorado popular e a classe média.
Casa própria como prioridade e nova agenda social
No eixo “Brasil que Prospera”, o plano destaca a casa própria como o maior sonho das famílias brasileiras e propõe combinar financiamento habitacional com regularização fundiária, urbanização de áreas degradadas e parcerias público-privadas. Além disso, a proposta inclui a regularização de imóveis urbanos com preferência para escritura em nome das mulheres, gesto que pode ser visto como estratégia para ampliar apoio entre eleitoras.
Digitalização e Estado enxuto com tecnologia
Flávio promete digitalizar 100% dos serviços públicos federais que possam ser oferecidos online, com uma identidade digital única integrada ao Gov.br. A ideia é eliminar a exigência de documentos já disponíveis ao Estado, reduzindo burocracias. O uso de inteligência artificial para identificar benefícios a que cada cidadão tem direito reforça a tentativa de modernizar o aparelho estatal, mas sem detalhar mecanismos de controle para evitar falhas.
Também está prevista a digitalização completa do Sistema Único de Saúde (SUS), com um prontuário eletrônico único vinculado ao CPF, reunindo informações clínicas, exames e vacinas.
Revogaço regulatório e apoio ao empresariado
O plano promete um “amplo revogaço regulatório” para eliminar normas consideradas obsoletas e simplificar procedimentos para abertura e manutenção de empresas, abrindo espaço para mais agilidade, mas levantando dúvidas sobre possíveis flexibilizações de normas essenciais à proteção social e ambiental. A proposta retoma a agenda liberal do governo Bolsonaro, buscando apoio do setor produtivo.
Programas sociais mantidos, mas com condicionantes
Apesar da retórica de redução da dependência estatal, o plano assegura a manutenção dos programas sociais existentes, porém com mudanças na gestão, combate a fraudes e correções de distorções. Beneficiários teriam prioridade para programas de primeiro emprego e retorno imediato do benefício após o seguro-desemprego, desde que mantidas condições de elegibilidade. A proibição do uso dos recursos sociais em apostas é uma medida que visa coibir desvios e reforçar a responsabilidade no uso dos benefícios.
Educação com viés conservador
Na educação, Flávio defende uma escola “livre de doutrinação político-partidária” e a ampliação das escolas cívico-militares, bandeiras clássicas do bolsonarismo que apelam ao eleitorado conservador, enfatizando valores tradicionais e disciplina.
O plano do candidato Flávio Bolsonaro combina retomada de programas sociais de impacto popular, digitalização do Estado e liberalismo econômico, mas com forte influência do bolsonarismo em temas educacionais e sociais. Resta saber como essas propostas serão recebidas pelo eleitorado diante das contradições e desafios que enfrentam.








