Adereço médico vira símbolo estratégico para sétima disputa presidencial do petista

Lula transforma o chapéu panamá, inicialmente uma proteção médica, em marca da campanha para reeleição. O acessório simboliza renovação e leveza, enquanto aliados apostam na estratégia para driblar desgaste da imagem aos 80 anos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inseriu o chapéu panamá em sua estratégia política para a campanha presidencial de 2026. O acessório, inicialmente adotado em função de uma recomendação médica após Lula passar por tratamento contra carcinoma basocelular, ganhou status de símbolo renovador e leve para a sétima disputa eleitoral do petista.
Desde abril, quando passou por cirurgia e sessões de radioterapia, Lula tem usado o chapéu para proteger o local do procedimento. Porém, aliados e a própria campanha reconheceram o potencial do adereço para rejuvenescer a imagem do presidente, que aos 80 anos busca um quarto mandato.
O presidente posou para sua foto oficial de urna usando o chapéu panamá da marca Marcatto — uma peça leve e sofisticada, vendida a R$ 289 —, reforçando a aposta numa imagem mais acessível e contemporânea. O uso tem sido frequente em eventos públicos, incluindo encontros políticos e ações partidárias, consolidando o chapéu como marca pessoal em sua trajetória política.
Presente de aliados, ministros e da primeira-dama Janja da Silva, a coleção de chapéus de Lula inclui modelos de cores claras e escuras, que ele incorpora em compromissos oficiais e populares. O gesto, além de prático, pretende passar uma mensagem de frescor e disposição, afastando críticas pela idade e desgaste político.
A campanha tem ciência do risco de questionamentos jurídicos pelo uso do chapéu na foto de urna — algo incomum nas eleições brasileiras — mas aposta em precedente do TSE em 2022, que flexibilizou regras para objetos ligados à identidade do candidato. Até o momento, nenhuma contestação formal foi registrada.
Em suma, o chapéu panamá deixou de ser mero acessório médico para virar peça-chave na narrativa política de Lula, que tenta usar a simbologia para enfrentar a oposição e manter sua relevância no cenário nacional.








