Bebida tradicional do litoral ganha status oficial, mas falta registro no MAPA ameaça produtores

A Assembleia Legislativa do Paraná reconheceu a cataia, bebida típica do litoral, como Patrimônio Cultural Imaterial, reforçando sua importância para comunidades caiçaras e turismo local.
A Assembleia Legislativa do Paraná aprovou nesta terça-feira (11) o projeto que declara a bebida cataia como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado. Feita a partir da Pimenta pseudocaryophyllus, espécie endêmica do litoral paranaense, a cataia é símbolo das práticas culturais das comunidades caiçaras, especialmente em Guaraqueçaba, nas ilhas da Baía de Paranaguá e na Barra do Ararapira.
Cataia, a essência caiçara em risco
O deputado estadual Goura (PDT), autor da proposta, ressaltou que a cataia é mais que uma bebida: é parte das celebrações e manifestações culturais locais, como o fandango, e mantém viva a relação histórica entre as comunidades e a Mata Atlântica. Contudo, o reconhecimento oficial expõe uma contradição: apesar do status cultural, a cataia não possui registro no Ministério da Agricultura (MAPA), o que impede sua comercialização formal e dificulta a sobrevivência dos pequenos produtores.
Mulheres caiçaras, guardiãs da tradição
A produção da cataia é uma atividade essencialmente feminina, que envolve a coleta e beneficiamento da pimenta pseudocaryophyllus. Esse papel reafirma a ligação comunitária e o manejo sustentável da flora local, reforçando a importância social e econômica da bebida para o litoral paranaense.
Identidade regional e turismo ameaçados
Empresário Guilherme Romani, criador do Onça Bêbada, destaca que a cataia é uma identidade regional que atrai turistas em busca de experiências autênticas. A falta de regulamentação, porém, gera apreensões e prejuízos aos produtores, minando a cadeia produtiva e o potencial de desenvolvimento do turismo de base comunitária.
Desafio à regulamentação e próxima etapa
O mandato do deputado Goura já iniciou articulações junto ao MAPA para garantir o registro da cataia e viabilizar sua comercialização legal. A expectativa é que a oficialização como patrimônio cultural fortaleça a valorização, sustentabilidade e geração de renda para as comunidades tradicionais do litoral, superando as barreiras burocráticas que ainda emperram o setor.
Fonte: bemparana.com.br









