Após perder protagonismo para Nvidia na IA, Intel aposta na descentralização e inferência para retomar liderança

Intel busca reverter perda de espaço causada pela Nvidia na era da inteligência artificial ao focar na nova fase de IA descentralizada e na inferência na ponta.
A Intel, que por décadas foi sinônimo de domínio na computação pessoal, perdeu espaço para a Nvidia na corrida da inteligência artificial (IA). No entanto, a gigante americana prepara uma reviravolta alinhada à nova fase da IA, que promete ser dez vezes maior que a anterior.
Segundo João Bortone, executivo da Intel para a América Latina, enquanto a primeira onda de IA focou no treinamento de grandes modelos na nuvem — terreno onde a Nvidia reina —, a próxima fase será marcada pela descentralização e especialização da inteligência artificial, com agentes operando diretamente na ponta, em dispositivos pessoais e corporativos.
Essa nova etapa, chamada de “onda da inferência”, permitirá que agentes de IA aprendam padrões individuais e executem tarefas específicas sem depender da nuvem, como assistentes pessoais que entendem rotinas ou ferramentas médicas que detectam doenças localmente. Bortone destaca que essa descentralização abrirá espaço para que governos, empresas e usuários tenham seus próprios agentes de IA dedicados, cada um com funções e hardwares específicos.
A estratégia da Intel não é brigar isoladamente, mas sim adotar o conceito de “co-opetição”. Em 2025, a Nvidia anunciou um investimento de US$ 5 bilhões na Intel para codesenvolver produtos para PCs e data centers, combinando tecnologias gráficas da Nvidia com processadores da Intel. Para o executivo, o foco deixa de ser o produto isolado e passa a ser o resultado entregue ao cliente.
No mercado brasileiro, Bortone enfrenta o desafio de adaptar a operação às particularidades locais, incluindo o sistema de pagamentos e o ambiente econômico volátil. Ele aponta a matriz energética renovável do Brasil como um trunfo estratégico para posicionar o país como um hub global de data centers, especialmente diante do aumento exponencial do consumo energético dessas estruturas globalmente.
Apesar dos riscos e da instabilidade regional, o otimismo prevalece na visão da Intel. A empresa vê a inteligência artificial não como ameaça ao emprego, mas como uma ferramenta de potencialização da produtividade e criação de novos produtos, reforçando que a responsabilidade pelo uso da IA é humana, não da tecnologia.
Com essa visão, a Intel busca virar a página da era “Intel Inside” para a era da “IA na ponta”, tentando retomar a liderança em um mercado que deve crescer de forma exponencial e redefinir o cenário tecnológico global.








