Projeto de Trump enfrenta resistência até dentro do próprio partido e fica para setembro

O Senado americano adiou a votação do SAVE America Act, projeto de Trump que exigiria prova de cidadania para votar, por falta de apoio até entre republicanos.
Em uma sessão extenuante que se estendeu até as primeiras horas deste sábado (8), o Senado dos Estados Unidos recusou avançar com a proposta legislativa mais cara ao ex-presidente Donald Trump: o SAVE America Act. A iniciativa buscava endurecer as regras de registro e votação para impedir que cidadãos não americanos votem nas eleições federais — uma pauta que tem forte apelo junto à base eleitoral de Trump, mas que enfrentou resistência até no próprio Partido Republicano.
O líder da Casa Branca pressionou intensamente os parlamentares para aprovar o projeto antes do recesso de verão, chegando a exigir que a sessão se estendesse até a madrugada. Apesar da determinação de Trump, os senadores republicanos, liderados por John Thune, tentaram equilibrar o desejo do ex-presidente com a realidade política de uma maioria apertada e dividida. Thune negociou um plano alternativo para retomar a votação em setembro, inserindo partes do projeto dentro de um pacote orçamentário maior, que inclui financiamento militar para a guerra no Irã e o reabastecimento do Pentágono.
Durante quase 20 horas de sessão, o Senado avançou em outras prioridades da agenda trumpista, como a confirmação de Todd Blanche como procurador-geral e a aprovação de sanções contra a Rússia para apoiar a Ucrânia. Porém, a tentativa de impor uma identificação para votar em eleições federais acabou sendo frustrada, o que revela a dificuldade do ex-presidente em traduzir sua influência em resultados legislativos concretos, mesmo com o controle republicano da Casa.
Este impasse evidencia um desgaste político de Trump dentro do seu próprio partido e levanta dúvidas sobre a capacidade dos republicanos em unificar sua base em torno de pautas polarizadoras nos meses que antecedem as eleições de meio de mandato. A divisão também expõe uma disputa interna sobre até que ponto a fiscalização do voto deve ser endurecida, num momento em que o debate sobre integridade eleitoral continua quente em Washington.
Senado ignora pressão de Trump e joga para setembro
A decisão do Senado de adiar a votação do SAVE America Act mostra que a ordem do ex-presidente não é mais suficiente para garantir o avanço de suas prioridades. Os republicanos, cientes da rejeição dos democratas e da falta de unanimidade interna, optaram por postergar a questão, apostando em um pacote maior que possa englobar outras demandas do partido.
Contradições e desgaste na base republicana
A resistência interna ao projeto de lei é sintoma claro das contradições que atravessam o Partido Republicano, dividido entre a ala trumpista radical e os membros mais pragmáticos, que buscam evitar divisões eleitorais desnecessárias. A pressão de Trump para aprovação imediata foi contida por senadores que preferem um caminho mais cauteloso para não prejudicar a imagem do partido antes das eleições.
Impacto político e desdobramentos
O adiamento do projeto sinaliza também um recuo estratégico do ex-presidente, que vê sua influência legislativa diminuir frente à complexidade política do Congresso. O episódio pode enfraquecer a narrativa de Trump sobre fraude eleitoral e integridade do voto, ao mesmo tempo em que mantém aceso o debate sobre fiscalização eleitoral para a próxima temporada eleitoral nos EUA.








