Centrão abandona aposta em Presidência e mira domínio das emendas


MDB e aliados do Centrão buscam poder via orçamento e bancadas, evitando amarras a candidatos presidenciais

Centrão abandona aposta em Presidência e mira domínio das emendas
Centrão opta por estratégia de neutralidade presidencial para reforçar controle no Legislativo — Foto: Logo CNN Eleições

Pela primeira vez em duas décadas, MDB e grandes partidos do Centrão não apoiam candidatos presidenciais no primeiro turno, focando no controle das emendas parlamentares e preponderância no Congresso para manter poder institucional independente do governo eleito.

O cenário político para as eleições presidenciais de 2026 mostra uma virada estratégica inédita do Centrão. Pela primeira vez em duas décadas, o MDB e aliados como a Federação União Progressista, Podemos e Republicanos decidiram não assumir compromisso formal com nenhum candidato ao Planalto no primeiro turno. Essa neutralidade calculada libera os diretórios estaduais para fecharem alianças locais com Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL) ou outros, conforme as conveniências regionais. 

Centrão troca Presidência por controle do orçamento

A mudança de rumo reflete a percepção crescente entre as lideranças do Centrão: o poder real está no Congresso Nacional, que hoje exerce controle absoluto sobre o orçamento por meio das emendas parlamentares. Cada deputado federal dispõe de R$ 50 milhões anuais para aplicar, enquanto cada senador movimenta cerca de R$ 80 milhões — recursos que não dependem do presidente da República ou dos ministros. 

Esse montante torna o mandato legislativo mais atraente do que cargos ministeriais, como exemplificado pela recusa do líder do União Brasil na Câmara, Pedro Lucas, em assumir o Ministério das Comunicações em abril de 2025. Ele preferiu manter sua influência parlamentar e o controle sobre as emendas de seu estado.

Estratégia pragmática em meio à polarização e pressões judiciais

Além disso, o receio de associar-se formalmente à candidatura de Flávio Bolsonaro, devido a possíveis investigações da Polícia Federal e pressões do Supremo Tribunal Federal, reforça a cautela do Centrão em firmar apoios presidenciais. O líder do PSD, partido que lançou Gilberto Kassab para tentar atrair o eleitor de centro-direita, também sinaliza o desgaste das grandes candidaturas na construção de alianças sólidas. 

A proibição das coligações nas eleições proporcionais e a cláusula de barreira progressiva até 2030 ampliam ainda mais o foco dos partidos em fortalecer suas bancadas estaduais e federais, reduzindo incentivos para alianças nacionais e consolidando sua capacidade de barganha com o governo que assumir o Planalto.

Congresso assume papel central no jogo político

Analistas da CNN destacam que o Congresso, hoje, se aproxima de um regime semipresidencialista informal, onde detém quase que exclusivo poder de agenda e orçamento. Nesse contexto, o Centrão, ao manter neutralidade no pleito presidencial, preserva seu espaço e capacidade de negociar com qualquer eventual governo, consolidando seu protagonismo institucional em um cenário de imprevisibilidade eleitoral. 

Assim, a aposta dos grandes partidos do centro e centro-direita se afasta da tradicional dependência da Presidência para acumular poder, em favor do domínio sobre emendas e bancadas no Legislativo, onde o verdadeiro jogo político se desenha para os próximos anos.


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