Dario Durigan nega restrições à circulação financeira e aponta desafios para conter gastos obrigatórios e ajustar previdência

Durigan rejeita controle de capitais e destaca necessidade de ajustes fiscais rigorosos para conter gastos obrigatórios, previdência e salários excessivos no Judiciário.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, foi categórico nesta sexta-feira (24) ao afirmar que o governo não pretende impor qualquer controle de capitais no Brasil. Durante sua participação na Expert XP 2026, em São Paulo, ele ressaltou que a agenda regulatória em discussão, que inclui supervisão para empresas de pagamentos e fundos de investimento, não deve ser confundida com restrições à circulação financeira.
Ajuste fiscal e contenção de gastos obrigatórios
Durigan destacou que o principal desafio para o próximo mandato será conter o crescimento das despesas obrigatórias, que vem avançando acima do limite de gastos estabelecido, comprimindo a margem para investimentos estratégicos. Ele citou explicitamente a necessidade de reformar o regime previdenciário das Forças Armadas e criticou duramente os chamados supersalários no Judiciário, classificando como inadmissível remunerações na casa dos R$ 400 mil mensais num país marcado pela alta do custo do crédito que penaliza famílias e empresários.
Compromisso com metas e eleições
O ministro garantiu que o Orçamento de 2027 será encaminhado ao Congresso até 31 de agosto, contemplando os programas sociais e os repasses a governadores, sem ampliação de despesas sem previsão orçamentária. Durigan reforçou que, apesar do cenário eleitoral que limita a elevação da meta primária, o governo manterá a disciplina fiscal, cumprindo a trajetória prevista na Lei de Diretrizes Orçamentárias, sem deixar contas em aberto ou ampliar gastos irresponsavelmente.
Juros, inflação e política fiscal
Ao atribuir a pressão inflacionária atual principalmente ao conflito no Irã, o ministro rejeitou a ideia de que o desajuste fiscal seja a causa do aumento dos juros. Manteve a defesa do esforço de ajuste estrutural feito nos últimos anos, sem ceder a demandas pontuais e ressaltou abertura ao debate sobre subsídios e linhas de crédito oficiais, mas criticou a visão de que tais medidas poderiam desrespeitar o arcabouço fiscal vigente.
A declaração de Durigan sinaliza firmeza do governo para enfrentar os desafios fiscais sem ceder a medidas intervencionistas que possam comprometer a confiança e a dinâmica do mercado financeiro, ao mesmo tempo em que promete respeito ao processo democrático e estabilidade nas contas públicas durante o ano eleitoral.








