Especialistas alertam que só tecnologia não salva; 'coração' e estratégia definem futuro corporativo

Especialistas em inovação alertam: implantar IA sem mudar a cultura e liderança corporativa é receita para fracasso. A tecnologia é ferramenta, não solução definitiva.
A inteligência artificial avança rápido, mas sua incorporação nas empresas ainda tropeça na resistência cultural e na falta de liderança alinhada. Walter Longo, especialista em inovação, alerta que só adotar tecnologia é insuficiente: é preciso uma ‘alma digital’ para transformar estruturas e modelos de gestão antigos. Sem isso, as organizações correm o risco de virar ‘Google administrado pelo Henry Ford’, ou seja, tecnologia moderna com práticas obsoletas.
Carlos Valle, executivo da Senior Sistemas, reforça que o medo do desconhecido freia experimentação necessária, recomendando começar a testar IA em áreas periféricas dos negócios para controlar riscos. A democratização da IA nivelou o campo: o acesso é fácil e barato, fazendo da ferramenta um requisito básico, não um diferencial. A verdadeira vantagem está em repensar o modelo de negócio e a relação com clientes, não só em usar as mesmas ferramentas que a concorrência.
O desafio é estruturar a adoção, pois pesquisas indicam que apenas 4% das empresas conseguem retorno claro com IA, revelando fase inicial de experimentação. Até empresas de tecnologia precisaram de tempo e capacitação para integrar a IA efetivamente. Longo destaca cinco pilares para empresas resilientes: propósito claro, compromisso comunitário, ecossistemas colaborativos, liderança dinâmica e engajamento – a ‘imunidade’ contra choques externos.
Além disso, o perfil do líder muda: surge o ‘nexialista’, que conecta áreas e valoriza conhecimento humano. Em tempos de automação, habilidades como empatia, escuta ativa e criatividade são essenciais. ‘Em terra de robô, quem tem coração é rei’, resume Longo. A tecnologia deve ampliar capacidades humanas, não substituí-las, evitando a ‘atrofia cognitiva’ que pode advir do uso passivo. Esse equilíbrio entre máquina e homem define quem liderará no mercado competitivo atual.









