Filas aumentam e pacientes como Fernanda Trezzi aguardam nova chance para recuperar visão

Entre janeiro e abril, Paraná realizou 328 transplantes de córnea, mas fila de espera segue alta com 2.664 pacientes. Histórias como a de Fernanda Trezzi expõem desafios da doação e riscos pós-cirúrgicos.
O Paraná vem se destacando nacionalmente na realização de transplantes de córnea, registrando 328 procedimentos entre janeiro e abril de 2026. Apesar do número expressivo, a demanda reprimida segue preocupante, com uma fila de espera que alcança 2.664 pacientes até abril, enfatizando um gargalo estrutural no sistema público de saúde estadual.
Curitiba lidera transplantes, mas fila persiste
A macrorregional de Curitiba foi responsável por 126 transplantes, um terço do total realizado no estado, demonstrando concentração dos serviços em centros urbanos maiores. Essa concentração, no entanto, não tem sido suficiente para atender à crescente demanda por córneas, que são fundamentais para restaurar a visão em casos de ceratocone e outras patologias.
Riscos e luta pela visão: o caso de Fernanda Trezzi
Fernanda Trezzi, diagnosticada com ceratocone, realizou seu primeiro transplante de córnea em 2008. Após quase duas décadas, enfrenta a expectativa por uma nova cirurgia, já que os transplantes possuem vida útil média de 12 anos. Ela conta que, apesar de conhecer o procedimento e seus riscos, como rejeição imunológica e necessidade de uso contínuo de corticoides, não hesita em buscar a chance de recuperar a qualidade da visão.
Doação: um desafio que exige sensibilização
A enfermeira Luciane Breus, do Hospital do Coração Bom Jesus, destaca os desafios para aumentar as doações de córnea. Além do rigor nos critérios de eligibilidade, que excluem pacientes com certas infecções ou doenças, o consentimento familiar é decisivo. “É crucial que as pessoas comuniquem sua vontade de serem doadores para os familiares, pois só eles podem liberar a doação após o falecimento”, reforça.
Assim, o Paraná mostra avanços importantes na área de transplantes, mas a insuficiência de doações e a complexidade do processo pós-transplante expõem a necessidade de políticas públicas mais eficazes e campanhas de conscientização que ampliem a doação e garantam tratamento adequado aos pacientes.
Fonte: dpontanews.com.br









