Compromissos climáticos dos países da OTCA e desafios enfrentados

Os países da OTCA atrasam na atualização de suas metas climáticas, apesar da defesa da floresta.
Os países da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) se reúnem para discutir a preservação da floresta, mas enfrentam dificuldades em entregar suas metas climáticas revisadas. A OTCA é composta por oito nações: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela, das quais apenas Brasil e Equador já apresentaram suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) revisadas, que visam reduzir as emissões de gases de efeito estufa e se adaptar às mudanças climáticas.
O prazo para a entrega das novas NDCs terminou em fevereiro de 2025. O Brasil, durante a COP29 em Baku, no Azerbaijão, apresentou sua atualização, que inclui uma meta de redução de 59% a 67% das emissões líquidas até 2035, em relação aos níveis de 2005. Isso representa uma redução de entre 850 milhões e 1,05 bilhão de toneladas de CO₂ equivalente. Em comparação, na NDC de 2016, o Brasil havia prometido cortes de 37% até 2025 e 43% até 2030. Dados recentes indicam que, em 2022, o país já havia alcançado uma redução de 20,4% em relação a 2005.
O Equador também apresentou sua nova contribuição, comprometendo-se a reduzir 7% das emissões até 2035 em relação a 2010. Este compromisso é incondicional, mas o país incluiu uma meta condicional de mais 8%, dependendo de financiamento internacional. A NDC anterior do Equador estabeleceu metas específicas para setores como energia e agricultura, além de compromissos com reflorestamento. O governo estima que tenha alcançado cerca de 5% de redução com a primeira NDC.
Pressão sobre a Colômbia e desafios para a região
A Colômbia é um dos países mais pressionados a apresentar sua nova meta. A falta de uma contribuição robusta pode resultar na exclusão do país do relatório global que será discutido na COP30, programada para o final do ano em Belém. Isso, por sua vez, pode dificultar o acesso da Colômbia a recursos internacionais voltados para ações climáticas.
Na próxima sexta-feira, os países da OTCA se reúnem em Bogotá, na Colômbia, para a 5ª Cúpula Presidencial, que servirá como preparação para a COP30. Além de Brasil e Equador, outros países da América Latina, como Uruguai, Chile, Granada, Costa Rica e Panamá, também já apresentaram suas metas climáticas revisadas. A região, que responde por menos de 10% das emissões globais, é uma das mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas.
Desde a assinatura do Acordo de Paris, em 2015, os países têm se comprometido a apresentar, a cada cinco anos, metas progressivamente mais ambiciosas para conter o aquecimento global. O objetivo é limitar a elevação da temperatura média do planeta a 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais até o fim do século. Especialistas, no entanto, alertam que, com as metas atuais válidas até 2030, o mundo caminha para um aumento de temperatura entre 2,6 °C e 3,1 °C, superando o limite estabelecido no acordo.
Desafios climáticos e o que pode acontecer em seguida
Os desafios enfrentados pelos países da OTCA são significativos e adquirem maior relevância em um contexto global onde as mudanças climáticas se tornam cada vez mais evidentes. O Brasil, com sua nova meta, busca alinhar-se aos compromissos internacionais, mas a eficácia dessas políticas depende da implementação efetiva e do suporte financeiro necessário. O governo brasileiro está sob pressão para demonstrar resultados concretos antes da COP30, onde as expectativas são altas.
A Colômbia, por sua vez, pode enfrentar dificuldades se não apresentar sua NDC a tempo, o que não apenas comprometeria sua participação no debate global, mas também poderia afetar o acesso a fundos internacionais. Os países da OTCA precisam urgentemente encontrar um consenso sobre suas metas e estratégias, especialmente considerando que a próxima cúpula pode ser uma oportunidade crucial para definir ações concretas.
Considerações finais sobre a defesa da floresta
A situação dos países amazônicos é emblemática das dificuldades que muitos países em desenvolvimento enfrentam na luta contra as mudanças climáticas. A defesa da floresta é crucial não apenas para a biodiversidade, mas também para o bem-estar das comunidades locais. O que acontece nas próximas semanas, com a cúpula em Bogotá e a COP30 se aproximando, será determinante para o futuro das políticas climáticas na região. A capacidade de se unir em torno de compromissos eficazes poderá influenciar não apenas a preservação da floresta, mas também o futuro econômico e social desses países.





