Procuradoria-Geral do RJ processa gestoras e tenta bloquear R$ 616 milhões em ativos após perdas suspeitas em fundos

PGE-RJ entra com ações contra Master Corretora e gestoras de fundos após perdas de R$ 641 milhões ao Rioprevidência, buscando bloqueio de bens e transparência nas aplicações.
PGE-RJ desfia esquema bilionário contra Master e gestoras
A Procuradoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro (PGE-RJ) não poupa esforços para recuperar quase R$ 650 milhões perdidos pelo Rioprevidência. Em 16 de julho, a PGE protocolou três ações judiciais contra a Master Corretora e as gestoras Acura e Axor, responsáveis por fundos suspeitos de manipulação e ocultação de informações. O alvo: os fundos Revolution e Texas I FIA, que juntos resultaram em prejuízos milionários para o fundo previdenciário público.
Bloqueio de bens e exigência de transparência
Com valores-alvo das cautelares somando R$ 616,6 milhões, a PGE exigiu o bloqueio imediato de bens diversos – imóveis, veículos, ações, até criptomoedas – via SisbaJud, para garantir ressarcimento. O fundo Revolution, que recebeu R$ 481,4 milhões, tem patrimônio atual de R$ 567,8 milhões, mas sua carteira segue em total sigilo, levantando suspeitas sobre a real composição dos ativos. Já o Texas I FIA, com investimento inicial de R$ 150 milhões, foi depreciado a apenas R$ 14,8 milhões em menos de um ano.
Manipulação e armadilha financeira
O Rioprevidência foi vítima clara de uma armadilha: o Texas I FIA concentrou 96% da carteira em ações da Ambipar, que sofreram manipulação coordenada. A gestora Trustee DTVM, ligada à Operação Carbono Oculto, comprou massivamente os papéis para inflar o preço artificialmente. O fundo ainda ficou desenquadrado das regras da CVM, configurando risco e ilegalidade na gestão.
Ação judicial com firmeza e dados técnicos
O procurador-geral Bruno Dubeux e equipe de nove procuradores sustentam as ações na Resolução CVM nº 175/2022 e no Código Civil, buscando garantir que a Master não atrapalhe os resgates solicitados pelo Rioprevidência. A Justiça também foi acionada para exigir a exibição de documentos e uma auditoria independente sobre a real situação dos fundos, rompendo o manto de sigilo que cerca as operações.
Essa ofensiva judicial expõe as fragilidades e riscos ocultos nas aplicações públicas, acendendo um alerta sobre governança e transparência no manejo dos recursos previdenciários do Estado do Rio. O caso promete fortes repercussões políticas e institucionais, sinalizando para uma pressão maior sobre reguladores e gestores para evitar que o erário continue sendo vítima de esquemas sofisticados de prejuízo.









