Deputado Ricardo Salles aposta no agronegócio e desgasta André do Prado, favorito de Tarcísio para o Senado paulista

Rejeitado da chapa de Tarcísio, ex-ministro Ricardo Salles aposta no agronegócio e ataca duramente André do Prado, candidato favorito do governador ao Senado por São Paulo.
Ricardo Salles, deputado federal e ex-ministro do Meio Ambiente, enfrenta rejeição na chapa do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) para o Senado em São Paulo. Apesar disso, Salles mantém uma intensa agenda pelo interior paulista, buscando apoio no agronegócio e prometendo “embolar” a disputa na direita, desafiando os pré-candidatos oficiais André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP).
Com 13% das intenções de voto no Datafolha, acima de Prado e Derrite, Salles aposta na dispersão do eleitorado conservador para abrir espaço contra as candidatas progressistas Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB). O parlamentar critica duramente Prado, apontado como representante do centrão e aliado do ex-deputado Valdemar Costa Neto, afirmando que sua candidatura é uma manobra oportunista e sem raízes reais na direita paulista.
“Eu sou de direita há 20 anos, ao contrário do André do Prado, que nunca foi. Ele é o típico representante do centrão, filhote de Valdemar Costa Neto”, afirma Salles, que pretende usar suas redes sociais para reforçar essa narrativa. Prado rebate, afirmando que Salles dedica mais tempo a ataques do que propostas e ressaltando o apoio do presidente Jair Bolsonaro à chapa oficial.
Nos bastidores, aliados de Tarcísio recomendam ignorar Salles, que busca formar uma “chapa informal” com Derrite baseada em pautas conservadoras. O governador, por sua vez, foca em eleger Prado, embora haja rumores de que permita que Derrite e Salles disputem votos paralelamente.
Salles também critica as candidatas progressistas, usando o argumento “anti-forasteiro” para questionar a representatividade de Marina e Simone, ambas não nascidas em São Paulo. Segundo ele, elas não defenderiam os interesses do estado em questões federativas, como a guerra fiscal.
Apesar da liderança de Tarcísio nas pesquisas para o governo, Salles duvida que isso se traduza automaticamente em votos para seus candidatos ao Senado, ressaltando que “máquina não elege” e destacando a importância das redes sociais e do senso crítico do eleitor.
Outro aliado de Prado considera que a candidatura de Salles prejudica a chapa estadual e sugere que ele deveria buscar reeleição como deputado federal ou tentar vaga na Assembleia Legislativa, o que Salles descarta, citando a irrelevância do cargo e a rotina sacrificada em Brasília.
Essa disputa expõe as contradições e divisões internas na direita paulista, enquanto candidatos tentam consolidar apoio num cenário cada vez mais fragmentado e competitivo para as eleições de 2024.









