Washington mira esquema global de transporte e comércio ligado ao Irã para conter ameaças regionais

18/06/2025
REUTERS/Dado Ruvic
Os EUA endurecem sanções contra mais de 50 alvos ligados ao Irã, visando desmontar rede global de transporte marítimo usada para evadir restrições e financiar ataques no Estreito de Ormuz.
EUA apertam cerco econômico ao Irã em retaliação à escalada no Estreito de Ormuz
A administração americana passou a régua: o Departamento do Tesouro ampliou nesta terça-feira (14) as sanções contra mais de 50 indivíduos, empresas e embarcações envolvidos no comércio e transporte ilegítimo do petróleo iraniano. A ofensiva mira diretamente a rede comandada por Mohammad Hossein Shamkhani, acusado de ser o cérebro por trás do esquema global que sustenta as exportações ilegais de Teerã.
Segundo o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac), o esquema se expandiu internacionalmente, utilizando empresas e navios para burlar as sanções e manter o fluxo de recursos que permitem ao regime iraniano financiar ações hostis na região.
“O regime iraniano sobrevive por meio da fraude, e a rede de Shamkhani é um de seus motores mais lucrativos”, declarou o secretário do Tesouro, Scott Bessent, ressaltando que a medida tem como objetivo desmantelar a infraestrutura financeira que sustenta as ameaças à segurança dos EUA e o trânsito marítimo global.
Rede global sob mira: de Teerã aos Houthis
Entre os sancionados estão não só cidadãos iranianos, mas também russos, italianos, indianos, britânicos e dinamarqueses ligados à administração das empresas usadas no esquema. As sanções atingem também empresas de transporte marítimo e embarcações vitais para o transporte de cargas entre o Irã e aliados, incluindo remessas destinadas aos Houthis no Iêmen, aliados estratégicos de Teerã na região.
O movimento vem na esteira da retomada dos ataques desestabilizadores no Estreito de Ormuz, principal corredor para o transporte global de petróleo, onde embarcações comerciais têm sido alvo de hostilidades atribuídas ao Irã. Em carta ao Senado, o presidente dos EUA justificou a intensificação dos ataques defensivos como resposta às violações iranianas, reforçando a postura firme da Casa Branca para proteger interesses estratégicos e garantir a liberdade de navegação.
Implicações políticas e estratégicas
A ampliação das sanções não apenas pressiona Teerã economicamente, mas também expõe as conexões internacionais que permitem ao regime contornar as restrições impostas pela comunidade global. A iniciativa americana sinaliza uma escalada na guerra econômica e política contra o Irã, num momento em que a região do Golfo permanece tensa e vulnerável a novos confrontos.
O desmantelamento dessa rede também busca evitar o fortalecimento dos grupos aliados ao Irã, como os Houthis, que têm papel ativo no conflito iemenita e na desestabilização regional.
Com essa ofensiva, Washington demonstra que não hesitará em usar todos os instrumentos disponíveis para frear o país persa, reforçando sua política de contenção e a proteção das rotas marítimas vitais para a economia global.









