Facção criminosa paulistana é tida como ameaça transnacional pelo governo americano

O Departamento do Tesouro dos EUA declarou o Primeiro Comando da Capital (PCC) a maior organização criminosa do Hemisfério Ocidental, intensificando a pressão política internacional sobre a facção paulista.
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos elevou o Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa nascida em São Paulo, à condição de maior organização criminosa do Hemisfério Ocidental, em um duro golpe político e simbólico contra o crime organizado brasileiro. A decisão oficial, publicada em 1º de maio, destaca o PCC como ameaça crescente à segurança nacional americana, apontando sua atuação global, inclusive em países como Reino Unido, Turquia e Japão.
PCC e sua gênese violenta
Fundado em 1993 no presídio Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté, conhecido como “Piranhão”, o PCC nasceu em meio a condições precárias e disputas sangrentas entre detentos. A facção ganhou força após emboscada fatal em partida de futebol dentro da prisão, conduzida por líderes como Geleião e Cesinha, consolidando um braço armado que desafiaria o Estado.
De rebeldia à ‘irmandade’ empresarial
Sob o comando de Marcola, o PCC evoluiu de uma postura militante para uma estrutura de “irmandade secreta”, com regulação interna rigorosa e foco na expansão do narcotráfico. O uso estratégico do celular desde os anos 2000 facilitou sua comunicação e o avanço global. A facção passou a explorar o sistema financeiro dos EUA para lavagem de dinheiro, provocando reação direta do governo Trump.
Disputas internas e violência incessante
Nos últimos anos, episódios como o assassinato de líderes internos, como Gegê do Mangue e Cabelo Duro, expuseram tensões e a brutalidade do grupo. O crime organizado também infiltrou forças de segurança, evidenciado no assassinato do delator Antônio Vinícius Lopes Gritzbach no Aeroporto de Guarulhos, com envolvimento direto de policiais militares.
Ameaça global e desafio para o Brasil
Com mais de 2 mil integrantes em pelo menos 28 países, segundo o Ministério Público de São Paulo, o PCC se tornou um ator transnacional relevante no tráfico e lavagem de dinheiro, especialmente na América do Sul e Europa. Os EUA, sob a administração Trump, intensificam sanções e esforços para conter a organização, pressionando o Brasil a agir com rigor contra seu crescimento e influência.
A designação do PCC como maior organização criminosa do Hemisfério Ocidental pelo governo americano não apenas expõe a falha das autoridades brasileiras em controlar a facção, mas também serve de alerta sobre os riscos que o crime organizado brasileiro representa para a segurança regional e global.









