Presidente da Câmara força reunião decisiva para revisar projeto com impacto de R$ 140 bilhões

Hugo Motta marca reunião estratégica com ruralistas e equipe econômica para tentar frear projeto do Senado que pode custar R$ 140 bilhões em 10 anos, evidenciando tensão política e busca por responsabilidade fiscal.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tomou a iniciativa de convocar uma reunião decisiva para a próxima terça-feira (7), reunindo integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e membros da equipe econômica do governo. O objetivo é discutir uma alternativa ao projeto de lei aprovado pelo Senado que prevê a renegociação das dívidas dos produtores rurais, um texto que já acende um alerta no Ministério da Fazenda por seu impacto estimado em R$ 140 bilhões nos próximos dez anos.
Motta anunciou a mobilização após receber o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), sinalizando que o acordo buscado será uma tentativa clara de conter o avanço do projeto original, que não conta com o apoio da equipe econômica. A movimentação aponta uma disputa política intensa, onde o presidente da Câmara mostra firmeza para evitar um custo fiscal elevado sem contrapartidas claras.
Tensão no Congresso e o peso da renegociação rural
O projeto passou por ampliação no Senado, incorporando não apenas produtores afetados por eventos climáticos extremos, como as enchentes recentes no Rio Grande do Sul, mas também aqueles prejudicados por choques econômicos internacionais, incluindo as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio. Tal ampliação elevou significativamente o impacto financeiro e insuflou a preocupação dos setores fiscais.
Motta já sinalizou a líderes partidários que a versão aprovada pelo Senado dificilmente avançará na Câmara, deixando claro que espera uma proposta reformulada pela equipe econômica para destravar o impasse e alcançar um consenso mais alinhado à responsabilidade fiscal.
Tratativas também avançam na polêmica dos combustíveis
Além das dívidas rurais, a reunião entre Motta, Durigan e Pimenta também tratou do delicado tema dos combustíveis, onde o governo se comprometeu a revisar a subvenção da gasolina para manter o diferencial de preço frente ao etanol. Essa medida acompanha o anúncio recente da retirada gradual dos subsídios que vinham sustentando os preços dos combustíveis diante das instabilidades geradas pela crise no Oriente Médio.
A primeira etapa dessa retirada foi o fim do subsídio de R$ 0,35 por litro no diesel, com estudo em curso para reduzir também o subsídio de R$ 0,44 por litro na gasolina conforme a estabilização dos preços internacionais do petróleo.
A articulação de Hugo Motta expõe um cenário político tenso, com forte pressão para equilibrar medidas de apoio ao setor rural e a necessidade de contenção dos gastos públicos, enquanto o governo tenta navegar entre reajustes impopulares e demandas estratégicas do agronegócio.










