Na cúpula em Evian, líderes europeus desafiam Trump a evitar acordo superficial que fortaleça Teerã e a repensar postura diante da guerra na Ucrânia

Na cúpula do G7 em Evian, França, líderes europeus confrontam Trump sobre o risco de um acordo raso com o Irã que fortalece seu programa nuclear e desafiam sua estratégia na guerra da Ucrânia.
Europeus desafiam Trump a evitar acordo superficial com Irã
Na cúpula do G7 realizada em Evian-les-Bains, França, os líderes europeus se organizaram para pressionar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o acordo preliminar fechado com o Irã. A preocupação central dos europeus é que o pacto raso corra o risco de fortalecer os programas nucleares e de mísseis balísticos de Teerã, consolidando um cenário perigoso para a estabilidade regional e global.
Em meio ao otimismo declarado por Trump, que chamou o acordo de “muito sucesso” logo ao chegar à França, França, Reino Unido e Alemanha manifestam ceticismo. Esses países, que participaram das negociações iniciais que resultaram no acordo nuclear de 2015, rejeitam novamente ser deixados de lado e exigem um compromisso sólido que evite brechas e impeça avanços militares do Irã.
G7 amplia foco para a guerra na Ucrânia e busca reposicionar Trump
Além do tema iraniano, o bloco europeu aproveitou o encontro para cobrar do presidente americano uma mudança urgente na estratégia dos EUA em relação à Ucrânia. Os líderes querem que Trump reconheça que as propostas anteriores favoreceram Moscou e que a Europa está disposta a negociar com Vladimir Putin, sem abrir mão do fortalecimento das sanções e da ajuda militar a Kiev.
A presença do presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy na sessão inicial, com possibilidade de diálogo direto com Trump, reforça a pressão para um novo impulso nas negociações de paz, embora o Kremlin mantenha uma postura inflexível. Zelenskiy declarou estar aberto a um encontro com Putin, mas o ditador russo não demonstra interesse em avançar.
Contradições e desgaste da política americana sob Trump
O G7 expôs as incoerências da política externa americana nestes temas cruciais. Enquanto Trump minimiza o acordo de 2015, chama seu novo pacto com Irã de superior e tenta aparar arestas, seus aliados europeus questionam sua capacidade e vontade de garantir um acordo robusto. No caso da Ucrânia, a tentativa americana de equilibrar diálogo e pressão militar parece não convencer os parceiros.
A cúpula evidencia um desgaste do protagonismo americano sob Trump, com a Europa assumindo papel mais ativo e crítico. O alerta contra soluções superficiais e a cobrança por uma postura firme mostram um bloco dividido internamente, mas unido na busca por preservar seus interesses estratégicos e evitar que erros anteriores se repitam.
Cenário geopolítico tenso e pressões intensas
Na mesa do G7, temas como a reabertura segura do Estreito de Ormuz, liderada por França e Reino Unido, e a presença de líderes árabes reforçam a complexidade das negociações. O acordo provisório estabelece uma janela de 60 dias para negociações técnicas que definirão o futuro do urânio iraniano e das sanções.
Enquanto isso, a Ucrânia mantém avanços táticos, atacando alvos estratégicos no interior russo, mas depende do suporte internacional para resistir. A economia de guerra da Rússia se enfraquece, mas o Kremlin mantém postura firme, ignorando as sanções e a pressão diplomática.
O encontro em Evian deixa claro que a geopolítica mundial está num momento delicado, com Estados Unidos e seus aliados europeus em embate tenso sobre como conter ameaças e preservar a ordem internacional diante de regimes autoritários e conflitos prolongados.









