Uma pesquisa inovadora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) traz esperança para o diagnóstico precoce da neurocriptococose, uma infecção severa que afeta o sistema nervoso central. A descoberta, baseada em achados em exames de imagem, especialmente ressonâncias magnéticas, pode acelerar o tratamento e reduzir a mortalidade associada a essa condição.
A neurocriptococose é causada por fungos encontrados em solos contaminados, frequentemente associados a excrementos de animais e madeira em decomposição. Indivíduos com sistemas imunológicos comprometidos, como pacientes com AIDS ou transplantados, apresentam maior vulnerabilidade à doença, tornando o diagnóstico rápido crucial para um tratamento eficaz.
O estudo identificou que uma lesão cística com um nódulo, antes relacionada à neurocisticercose, também pode indicar a presença de neurocriptococose. “Nosso grupo descobriu e descreveu, pela primeira vez, uma lesão cística com um nódulo periférico dentro dessa lesão acontecendo em pacientes com neurocriptococose”, explica o Professor de Radiologia Marcos Rosa Júnior. “Essa descoberta ajuda a fazer o diagnóstico precocemente e a tratar os pacientes de forma assertiva”.
A pesquisa analisou nove casos da doença, acompanhados entre 2014 e 2022, e incluiu uma revisão da literatura científica que confirmou a originalidade da descoberta. A equipe da Ufes publicou suas conclusões em uma revista internacional, abrindo caminho para que outros pesquisadores validem e utilizem o achado em seus próprios serviços de saúde.
“Depois da descrição da ocorrência das imagens [relacionando-as à neurocriptococose], no nosso próprio serviço [de saúde] apareceram outros casos semelhantes”, complementa o professor Rosa Júnior. A descoberta, que envolveu pesquisadores e estudantes do Hospital Universitário Cassiano Antonio Moraes (Hucam), demonstra o impacto da pesquisa acadêmica na melhoria da saúde pública.





