Gabriel Galípolo destaca juros altos e inflação persistente no Brasil


Presidente do Banco Central aponta esforço estrutural maior para conter inflação que supera meta histórica

Gabriel Galípolo destaca juros altos e inflação persistente no Brasil
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, durante audiência pública no Senado Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

Gabriel Galípolo afirma que Brasil mantém juros mais altos que pares, mas inflação segue acima da meta estabelecida pelo Banco Central.

Juros altos e inflação persistente no Brasil segundo Gabriel Galípolo

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou em 19 de fevereiro de 2026 que o Brasil sustenta taxas de juros sistematicamente e historicamente mais altas que seus pares internacionais, mesmo com a inflação superando a meta no país. Durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Galípolo ressaltou que, entre 2020 e 2025, o Banco Central só não teve que emitir carta aberta comunicando o descumprimento da meta inflacionária em 2020 e 2023. Esse panorama levanta questões estruturais relevantes para a política monetária brasileira.

Análise dos núcleos de inflação e suas implicações para a política monetária

Galípolo destacou que a análise dos núcleos de inflação é fundamental para entender o esforço necessário para controlar os preços no Brasil. Ele mencionou que a média dos núcleos atualmente está no mesmo nível da inflação oficial, indicando pressões inflacionárias persistentes mesmo com juros elevados. Esse cenário exige que o Banco Central mantenha uma política mais rigorosa para evitar que a inflação se torne descontrolada, apesar das dificuldades enfrentadas em conter a alta dos preços.

Impacto dos choques de oferta e nova dinâmica do misery index

O presidente do BC também abordou o efeito dos recentes choques de oferta na economia brasileira. Segundo ele, o índice de miséria — que combina desemprego e inflação — está no menor nível da série histórica, mas a correlação com o bem-estar foi afetada pelos aumentos inesperados nos preços de produtos essenciais como carne, leite e ovos. Essa situação tem gerado uma questão internacional chamada “affordability”, ou capacidade de compra, que desafia os bancos centrais a controlar a inflação sem provocar uma espiral de preços e salários.

Relação entre renda, crédito e consumo após a pandemia

Ao discutir os efeitos da pandemia de Covid-19, Galípolo lembrou que, em 2020, as taxas de juros globais caíram para níveis historicamente baixos, chegando a patamares negativos em alguns países. No Brasil, os juros chegaram próximos a 2%. Diante da queda da atividade econômica e perda de renda, muitos consumidores recorreram ao crédito para manter o consumo, especialmente por meio do cartão de crédito. O presidente do BC comentou que o número médio de cartões de crédito por pessoa subiu consideravelmente, um fenômeno acentuado pela maior bancarização e pela popularização do Pix.

Desafios estruturais da política monetária para controlar a inflação no Brasil

A coexistência de juros elevados e inflação persistente revela desafios estruturais para a política monetária no país. Galípolo questionou por que o Brasil necessita de um esforço maior em política monetária para conseguir o mesmo efeito que outros países alcançam com níveis menores de juros. Esse cenário sinaliza a importância de discutir fatores econômicos internos, como rigidez de preços e salários, além de avaliar a eficácia das ferramentas do Banco Central frente a choques externos e internos.


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