AGU reforça pedido ao STF para manter regras atuais de royalties do petróleo


Advocacia-Geral da União alerta para riscos financeiros em estados produtores caso haja mudança na distribuição

AGU reforça pedido ao STF para manter regras atuais de royalties do petróleo
Plataforma de produção de petróleo no litoral do Rio de Janeiro. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

AGU reforça ao STF a importância de manter regras atuais de royalties do petróleo para evitar colapso financeiro em estados produtores.

AGU reforça pedido ao STF sobre regras de royalties do petróleo

A Advocacia-Geral da União (AGU) apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um relatório pedindo que sejam mantidas as regras de royalties do petróleo vigentes atualmente. O julgamento marcado para 5 de maio de 2026 discutirá a lei de 2012 que alterou os critérios de distribuição, favorecendo estados não produtores. Essa manifestação destaca o risco de colapso financeiro para os estados produtores, principalmente o Rio de Janeiro, que responde por 88% da produção nacional de petróleo e 77% da de gás, conforme dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

A AGU defende que a Constituição assegura aos estados e municípios produtores o direito à participação nos resultados da exploração, como compensação pelos impactos sociais, econômicos e ambientais que enfrentam. A mudança na distribuição, segundo o órgão, violaria o princípio da segurança jurídica e exigiria ressarcimentos bilionários retroativos, com estimativas de R$ 57,2 bilhões para a União e R$ 87,8 bilhões para os estados produtores desde 2012.

Impactos financeiros da mudança para estados produtores e União

A revisão da lei sobre royalties pode provocar impactos significativos nas finanças públicas dos estados produtores. A AGU alerta que a alteração da regra vigente afetaria diretamente a arrecadação do Rio de Janeiro, que depende fortemente desses recursos para manter suas contas e serviços públicos. Estimativas indicam que a mudança poderia reduzir em cerca de R$ 21 bilhões por ano as receitas dos cofres estaduais e municipais.

Além disso, a AGU destaca que, caso o STF valide a mudança, o ideal seria que ela tivesse efeito apenas para contratos futuros, evitando a restituição retroativa dos valores recebidos desde a suspensão da lei em 2013. A reversão dos pagamentos retroativos poderia agravar ainda mais a situação fiscal das entidades federativas envolvidas.

Contexto histórico e constitucional da distribuição dos royalties

A lei de 2012, que alterou a divisão dos royalties, foi suspensa por liminar da ministra Cármen Lúcia em 2013 e aguarda análise definitiva do plenário do STF. Desde então, o sistema vigente privilegia os estados e municípios produtores, conforme previsto na Constituição, reconhecendo que esses entes suportam os ônus da atividade petrolífera em seus territórios.

A AGU argumenta que a alteração promovida pela lei de 2012, que favorece estados não produtores, não encontra respaldo constitucional. A participação dos produtores nas receitas da exploração é uma forma de compensar os impactos ambientais, sociais e econômicos decorrentes da atividade, justificando o direito territorial desses entes.

A importância da segurança jurídica para o setor petrolífero

Manter as regras atuais de distribuição é fundamental para garantir a segurança jurídica no setor de petróleo e gás. A insegurança gerada por mudanças retroativas poderia desestimular investimentos e afetar o planejamento dos entes federativos e empresas envolvidas na exploração e produção.

A Advocacia-Geral da União reforça que a estabilidade normativa é essencial para o desenvolvimento sustentável do setor petrolífero brasileiro e para a preservação das finanças públicas dos estados produtores.

Possíveis desdobramentos do julgamento no STF

O julgamento sobre a distribuição dos royalties pode redefinir as finanças dos estados e municípios, sobretudo do Rio de Janeiro, que concentra a maior parte da produção nacional. Uma decisão que altere as regras atuais poderá exigir a revisão das receitas distribuídas desde 2012, com possíveis ressarcimentos e ajustes financeiros complexos.

Autoridades e entidades empresariais já alertam para os riscos de inviabilização das máquinas públicas diante de eventuais perdas bilionárias nos recursos. A decisão do STF será determinante para o equilíbrio fiscal das regiões produtoras e para o futuro da política de distribuição dos royalties no país.


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