A 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande foi palco, nesta segunda-feira (18), da primeira audiência de instrução e julgamento do caso que chocou a cidade em maio: a tentativa de feminicídio contra uma mulher de 46 anos, sequestrada e baleada pelo ex-companheiro, Marcos Antônio de Souza Vieira, de 59 anos. O crime ocorreu após a vítima se recusar a reatar o relacionamento.
A audiência, que começou às 14h, contou com a presença do réu, acompanhado de seus advogados e policiais penais. Testemunhas de acusação, incluindo policiais militares e delegadas que atenderam a ocorrência, prestaram depoimento. O filho da vítima e a própria mulher também foram chamados a depor, trazendo à tona detalhes cruciais sobre o crime.
Marcos Antônio responde por seis crimes graves: tentativa de feminicídio, sequestro, violência psicológica, porte de arma de fogo, desobediência e dano. Os depoimentos dos policiais revelaram o cenário brutal encontrado no local do crime: a vítima caída ao lado de um posto de combustíveis, consciente apesar dos ferimentos a bala no peito e no glúteo.
A vítima relatou aos policiais que vinha sendo perseguida pelo ex-companheiro. Imagens de segurança obtidas pela polícia mostram o momento em que Marcos a aborda em frente ao condomínio, forçando-a a entrar no carro sob a mira de uma arma. A mulher foi mantida em cárcere privado, circulando pela cidade sob ameaças constantes.
A fuga desesperada da vítima em um posto de combustíveis no Bairro Parati também foi capturada por câmeras de segurança. “Ele disse que, como eu não voltaria com ele, não voltaria para lugar nenhum. Que me mataria porque preso ele não queria ir”, relatou a vítima ao Campo Grande News, descrevendo o momento em que percebeu que sua vida estava em perigo.
De acordo com o relato da vítima, Marcos só não continuou a atirar porque acreditou que ela já estava morta. “Senti ele em cima de mim e me dando o tiro que acertou meu pulmão. Com esse tiro, ele achou que eu tinha morrido”, detalhou, revelando a frieza e a brutalidade do agressor. O julgamento segue com o objetivo de apurar a verdade e garantir a justiça para a vítima.





