Rodrigo Paz e Jorge “Tuto” Quiroga avançam à disputa final em 19 de outubro, deixando o partido de Evo Morales fora da corrida presidencial
As eleições presidenciais da Bolívia, realizadas no domingo (17), marcaram um ponto de ruptura na política do país. Pela primeira vez desde 2005, o partido de esquerda Movimento ao Socialismo (MAS), fundado por Evo Morales, ficou fora do segundo turno, registrando apenas 3,14% dos votos. O resultado representa a pior derrota do partido em duas décadas, destacando o desgaste da esquerda frente à insatisfação popular com a crise econômica e a fragmentação interna.

Rodrigo Paz lidera e se apresenta como renovação centrista
O senador Rodrigo Paz (Partido Democrata Cristão) foi o candidato mais votado, com 32,08% dos votos. Ele se apresenta como símbolo de renovação política e defende uma agenda centrista, incluindo descentralização do poder e maior autonomia para governos regionais. Paz destacou a necessidade de mudanças estruturais, afirmando que os bolivianos pedem não apenas a troca de governo, mas a transformação do sistema político.
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Jorge Quiroga garante segundo lugar com discurso conservador
O ex-presidente Jorge “Tuto” Quiroga (Aliança Livre) obteve 26,94% dos votos, garantindo vaga no segundo turno. Quiroga, com perfil mais conservador, defende cortes profundos nos gastos públicos e o distanciamento da Bolívia de alianças ideológicas com países como Venezuela, Cuba e Nicarágua. Apesar de sua linha dura, ele busca atrair eleitores insatisfeitos com duas décadas de hegemonia do MAS.
Fragmentação da esquerda e baixa participação do MAS
A eleição evidenciou o colapso da força política de Evo Morales. O presidente Luis Arce não concorreu, e o principal candidato do MAS, Eduardo del Castillo, ficou com apenas 3,16%. Outros representantes de esquerda também não conseguiram superar 10% dos votos, refletindo a divisão interna e a crescente rejeição popular ao partido. Além disso, o apelo de Morales para boicote e votos nulos teve efeito limitado, com 18,9% de votos nulos, acima da média histórica.
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Crise econômica agrava insatisfação popular
O contexto econômico foi decisivo para o resultado. A Bolívia enfrenta inflação anual de quase 25%, escassez de combustível, desvalorização do boliviano e dificuldade de acesso a dólares. A situação fragiliza a população, especialmente trabalhadores da economia informal, aumentando a pressão por mudança e contribuindo para o enfraquecimento do MAS.
Segundo turno marca ruptura política e oportunidades de reformas liberais
O segundo turno, marcado para 19 de outubro, será histórico, com dois candidatos de oposição disputando a presidência, ambos afastados da esquerda. Essa configuração oferece uma oportunidade única para implementar reformas liberais, como redução de gastos públicos, abertura econômica e estímulo à iniciativa privada. Independentemente do vencedor, a eleição simboliza o fim de um ciclo político de 20 anos e a possibilidade de um governo voltado à responsabilidade fiscal, à descentralização e ao fortalecimento das instituições democráticas.
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