Agência reguladora revisa pedidos de novos medicamentos à base de semaglutida para ampliar oferta e reduzir preços

A Anvisa deve se manifestar em breve sobre o registro de dois concorrentes do Ozempic, buscando ampliar a oferta e reduzir preços.
Anvisa prepara decisão sobre registro de concorrentes do Ozempic nas próximas semanas
A Anvisa está em fase final de revisão interna para se manifestar nas próximas semanas sobre o registro de dois novos medicamentos concorrentes do Ozempic, ambos à base de semaglutida, substância cujo princípio ativo perde a patente em 20 de março. Um dos produtos é desenvolvido pela EMS, empresa nacional com histórico no mercado de canetas emagrecedoras, e o outro foi originalmente protocolado pela Momenta, do grupo Eurofarma, que transferiu o processo para a Ávita Care.
Detalhes dos medicamentos e laboratórios envolvidos na disputa nacional
O medicamento da EMS representa a continuidade da linha de canetas emagrecedoras de liraglutida, concorrentes anteriores aos remédios da Novo Nordisk. Já o outro pedido avaliado, ligado ao grupo Eurofarma, se soma à parceria da empresa com a Novo Nordisk para distribuição de semaglutida em outras marcas. Importante destacar que a Anvisa rejeitou recentemente, em dezembro, um pedido de registro para um produto à base de liraglutida do laboratório Megalabs.
Pressão para ampliar oferta e reduzir custos dos emagrecedores no mercado brasileiro
Há forte demanda de consumidores, indústria farmacêutica e políticos para aumentar a oferta e baratear os emagrecedores à base de semaglutida. O governo Lula impulsionou a análise prioritária de 20 pedidos de remédios com liraglutida e semaglutida após o Ministério da Saúde destacar os benefícios do produto e a necessidade de ampliar o acesso. Tal movimento visa conter o crescimento do uso de versões manipuladas e uso fora da indicação médica.
Potenciais impactos regulatórios, comerciais e para o sistema público de saúde
Apesar do interesse em facilitar o acesso, entidades do setor regulador e associações médicas alertam para riscos relacionados à segurança do paciente e para possíveis atrasos na avaliação de medicamentos para doenças graves, como câncer e AME. A Anvisa estabeleceu limites para acelerar processos, priorizando produtos com fabricação nacional, além de considerar o risco de desabastecimento das canetas.
Perspectivas para incorporação das canetas emagrecedoras no SUS e transferência tecnológica
Além das análises regulatórias, o governo avalia formas de incluir o tratamento na rede pública, embora o custo bilionário tenha sido um obstáculo. Uma das iniciativas envolve a parceria entre a EMS e a Fiocruz para transferência da tecnologia de produção das canetas, o que pode viabilizar o acesso mais amplo no futuro próximo.
A decisão da Anvisa sobre o registro desses concorrentes do Ozempic poderá modificar o cenário de tratamentos para obesidade e diabetes no Brasil, promovendo maior concorrência e potencialmente influenciando preços e acessibilidade.
Fonte: www1.folha.uol.com.br










