Big techs enfrentam ameaças após expansão no golfo Pérsico em meio à guerra no Irã

Empresas americanas como Amazon e Google veem investimentos bilionários ameaçados pelo conflito e ataques a data centers da região

Big techs enfrentam ameaças após expansão no golfo Pérsico em meio à guerra no Irã
Data center no Golfo Pérsico afetado por ataques durante conflito no Irã. Foto:

Big techs no golfo Pérsico enfrentam riscos crescentes com ataques a data centers em meio à guerra no Irã, afetando investimentos bilionários.

Big techs golfo Pérsico enfrentam ameaças e ataques em data centers durante a guerra no Irã

Desde março de 2026, as big techs golfo Pérsico vêm enfrentando sérias ameaças após ataques a seus data centers, um efeito direto da escalada da guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. Empresas como Amazon, Google e Microsoft, que investiram bilhões na região para expandir sua infraestrutura tecnológica, agora enfrentam desafios inéditos que colocam em risco suas operações e compromissos estratégicos. Andy Jassy, CEO da Amazon, liderou a expansão na Arábia Saudita, mas as recentes ações impactaram diretamente os centros de dados localizados no Bahrein e Emirados Árabes Unidos.

Contexto dos investimentos bilionários das big techs no golfo Pérsico

Desde 2019, a Amazon construiu seu primeiro data center no golfo Pérsico, iniciando uma trajetória de expansão que incluiu os Emirados Árabes Unidos e, em 2024, projetos de mais de US$ 10 bilhões na Arábia Saudita. Essa movimentação foi impulsionada pela rápida digitalização da região, o crescimento da economia digital e a corrida pela inteligência artificial. O ambiente regulatório flexível e a abundância de recursos financeiros atraíram diversas empresas americanas para o mercado local. Segundo dados da IDC, os gastos com tecnologia no Oriente Médio saltaram de US$ 36 bilhões em 2020 para cerca de US$ 65 bilhões em 2025, evidenciando o potencial e a importância estratégica da região para o setor de tecnologia.

Impactos e vulnerabilidades revelados pelos ataques iranianos

No início de março, drones iranianos danificaram data centers da Amazon no Bahrein e em outros locais nos Emirados Árabes Unidos, afetando o acesso de diversas empresas a serviços essenciais de computação em nuvem. Esses ataques evidenciam a vulnerabilidade da infraestrutura tecnológica instalada em zonas de conflito, uma preocupação até então subestimada pelas empresas de tecnologia. Simon Williams, executivo da Atelic AI em Dubai, revelou que a indisponibilidade dos servidores causou perdas significativas e destacou falhas nos sistemas de recuperação de desastres da Amazon na região. A Amazon recomendou a migração das operações para data centers em outras regiões, enquanto Google e Microsoft monitoram a situação com preocupação.

Riscos geopolíticos e lições para o setor tecnológico no golfo Pérsico

Especialistas ressaltam que, ao contrário do setor energético, as big techs dos EUA têm pouca experiência em lidar com riscos geopolíticos tradicionais, o que resultou em subestimação das ameaças na região. Steffen Hertog, da London School of Economics, destaca que a escalada do conflito transformou o golfo Pérsico de um ambiente seguro para investimentos em um palco de alta volatilidade. Mojtaba Khamenei, líder supremo do Irã, aumentou as tensões com ameaças a sete empresas americanas, incluindo Nvidia, IBM e Oracle. O setor tecnológico precisará incorporar análises de segurança mais rigorosas ao planejar futuras expansões em áreas de risco.

Perspectivas e cenários futuros para a tecnologia no golfo Pérsico

A continuidade da guerra no Irã poderá determinar o futuro dos investimentos em tecnologia na região. Xiaomeng Lu, da Eurasia Group, afirma que a estabilidade geopolítica é crucial para que países do golfo cumpram suas ambições de atrair grandes empresas de tecnologia. Caso uma resolução rápida do conflito seja alcançada, o ambiente poderá se estabilizar e reverter os impactos negativos. Porém, uma prolongada instabilidade pode levar a mais interrupções e a um cenário de maior cautela por parte dos investidores. Enquanto isso, a indústria tecnológica avalia estratégias para mitigar riscos e proteger suas infraestruturas essenciais em regiões sensíveis.

Fonte: www1.folha.uol.com.br