Conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã afeta fornecimento de gás natural liquefeito e impacta projetos termelétricos no país

Guerra no Oriente Médio aumenta riscos para projetos de GNL no maior leilão de energia do Brasil, afetando contratos e abastecimento.
Guerra no Oriente Médio eleva percepção de risco para GNL no leilão de energia do Brasil
A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã no Oriente Médio aumentou significativamente a percepção de risco para o GNL no leilão de energia do Brasil, principal certame do setor marcado para a próxima semana. Essa região, vital para o suprimento mundial do gás natural liquefeito, enfrenta turbulências que colocam em xeque a estabilidade dos projetos termelétricos brasileiros que dependem desse combustível. Rivaldo Moreira Neto, sócio-diretor da A&M Infra, destaca que o cenário atual pode dificultar o acesso ao GNL para os vencedores do leilão, caso o conflito se prolongue.
Impacto dos pré-acordos de fornecimento de GNL diante da crise no Oriente Médio
Os contratos preliminares firmados para garantir o abastecimento das usinas termelétricas brasileiras podem ser afetados pelo contexto internacional. O Catar, segundo maior exportador de GNL, declarou força maior ao suspender a produção em uma de suas instalações, e a Shell, maior comercializadora global, adotou medida similar. Tais decisões refletem a volatilidade do mercado e a possibilidade de renegociações contratuais, principalmente se danos à infraestrutura perdurarem. O mercado brasileiro, embora não seja um grande consumidor mundial, cresce no uso do GNL, o que torna esses impactos relevantes para o setor.
Análise dos especialistas sobre a flexibilidade e riscos do mercado de GNL
Vinícius Romano, vice-presidente da área de gás da Rystad Energy na América Latina, aponta que os fornecedores já ajustaram suas estratégias após crises anteriores, como a guerra da Rússia, e estão atentos às demandas de flexibilidade para enfrentar os novos desafios. Entretanto, a alta dos preços internacionais do GNL pode levar a reajustes nos custos variáveis das usinas, afetando o preço final para consumidores. Por outro lado, Décio Oddone, ex-presidente da Petrobras Bolívia, considera que o risco para os projetos é relativamente baixo devido à robustez dos contratos, embora não descarte rupturas em casos extremos.
Histórico e exemplos de renegociações em leilões anteriores no Brasil
O Brasil já enfrentou dificuldades similares em 2021, quando a usina Portocém teve seu pré-acordo de GNL com a Shell cancelado após mudanças no mercado provocadas pela guerra na Ucrânia. A New Fortress Energy assumiu o projeto, realocando a usina para outra localidade. Esse episódio ilustra como conflitos internacionais podem impactar diretamente investimentos e operações no setor elétrico brasileiro, exigindo adaptações e negociações para garantir a continuidade dos serviços.
Expectativas para o leilão de capacidade e seus impactos no sistema elétrico nacional
Com previsão de contratação de pelo menos 20 GW em usinas novas e existentes, o leilão de capacidade é estratégico para assegurar a segurança do fornecimento energético no Brasil. Além de termelétricas a GNL, serão contratados projetos a gás natural conectado à malha, carvão, óleo combustível, biodiesel e expansão de hidrelétricas. Grandes empresas como Petrobras, Eneva, Edge e New Fortress Energy participam do certame, sinalizando o crescimento do papel do GNL no mix energético e a importância de superar os desafios impostos pela atual conjuntura internacional.
Perspectivas futuras e desafios para o mercado brasileiro de GNL
Embora a dimensão do conflito e seus desdobramentos sejam incertos, a previsão de aumento da oferta de GNL pelos Estados Unidos nos próximos anos pode aliviar possíveis restrições de abastecimento. O setor energético brasileiro acompanha de perto a evolução da guerra para ajustar seus planos e contratos. A flexibilidade e a capacidade de adaptação das empresas serão fundamentais para garantir a estabilidade do mercado de GNL no Brasil, especialmente diante da crescente demanda por fontes de energia mais flexíveis e menos poluentes.
Fonte: www1.folha.uol.com.br





