O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reagiu com indignação ao cancelamento dos vistos de sua esposa e filha de dez anos pelo governo dos Estados Unidos. Em declaração contundente, Padilha classificou a medida como um “ato covarde” e a interpretou como uma tentativa de intimidação direcionada a quem critica a postura do governo Trump. A informação sobre o cancelamento veio à tona após a verificação de que o visto do próprio ministro já havia expirado.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Padilha vinculou a decisão ao seu histórico como idealizador do programa “Mais Médicos”. Ele argumenta que a ação seria uma retaliação contra aqueles que “não baixam a cabeça pra Trump, quem não bate continência pra bandeira dos Estados Unidos”. O programa, que visava suprir a carência de médicos em áreas remotas e periféricas do Brasil, atraiu críticas de figuras como o secretário de Estado americano, Marco Rubio, que o utilizou como justificativa para cancelar vistos de outras autoridades da área da saúde.
A criação do “Mais Médicos”, durante o governo Dilma Rousseff, envolveu a contratação de profissionais, principalmente cubanos, o que gerou tensões com os EUA devido às relações históricas entre Cuba e o governo americano. Padilha expressou sua indignação: “É uma atitude de covardia, um ato covarde que atinge uma criança de dez anos de idade, que atinge a minha esposa. E as pessoas que fazem isso, e o clã Bolsonaro que orquestra isso, têm que explicar para o mundo inteiro qual o risco de uma criança de dez anos de idade pode ter pro governo americano”.
O ministro ressaltou que sua filha sequer havia nascido quando o programa foi implementado e defendeu o “Mais Médicos”, do qual se orgulha. Ele também questionou a ausência de sanções a outros países que mantêm contratos com médicos cubanos. “Hoje, não tem nenhuma parceria de médico cubano aqui no Brasil, mas tem em dezenas de países de presidentes e primeiros ministros de direita, de esquerda, de todos os espectros políticos, qual que é a explicação que não tem qualquer tipo de sanção, qualquer crítica a esses outros países”, indagou.
Em entrevista à Globonews, Padilha citou a Itália, governada pela extrema direita, como um exemplo de país que mantém acordos com médicos cubanos sem sofrer represálias. Ele reafirmou seu compromisso em defender a democracia brasileira e a saúde da população, independentemente de “qualquer tentativa de intimidação, de ataque covarde que qualquer governo faça contra mim e a minha família”. A assessoria do governo americano não se manifestou sobre as declarações até o momento.










