Especialistas alertam para falhas no rastreio e baixa adesão ao tratamento da doença silenciosa que afeta milhões no Brasil

Especialistas destacam falhas no rastreamento e baixa adesão ao tratamento da hipertensão, principal fator de risco para infarto e AVC no Brasil.
Hipertensão: doença silenciosa e desafios do rastreamento no Brasil
A hipertensão é uma doença silenciosa que desafia o sistema de saúde brasileiro, conforme evidenciado em um levantamento recente de 2026. Dados do Ministério da Saúde indicam que cerca de 30% da população brasileira é afetada, mas o diagnóstico precoce ainda é falho, comprometendo o controle efetivo da doença. Luiz Bortolotto, diretor da Unidade de Hipertensão Arterial do Incor, reforça que 90% dos pacientes não apresentam sintomas, convivendo com a pressão alta por anos sem acompanhamento médico adequado.
Falhas no diagnóstico precoce e a importância da aferição constante
O rastreamento insuficiente na atenção básica é um problema crítico. A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) recomenda que a pressão arterial seja aferida rotineiramente em qualquer consulta, independentemente da queixa principal do paciente. Contudo, muitos indivíduos não realizam essa verificação regular, o que dificulta o reconhecimento precoce e o início do tratamento. A inércia terapêutica, quando os médicos não ajustam adequadamente a medicação, também contribui para o agravamento dos quadros hipertensivos.
Tratamento público: acesso, limitações e impacto na adesão dos pacientes
No Brasil, cerca de 75% dos hipertensos são atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que oferece as principais classes de anti-hipertensivos. Apesar disso, a ausência de combinações fixas em um único comprimido no SUS dificulta o uso correto dos medicamentos, pois os pacientes precisam ingerir múltiplos remédios diariamente. Essa complexidade, junto aos efeitos colaterais frequentes, reduz a adesão ao tratamento, aumentando o risco de complicações. Estudos indicam que metade dos pacientes com doenças crônicas não segue adequadamente as prescrições, elevando internações e mortalidade.
Procedimentos avançados e o acesso restrito na rede pública
Para casos de hipertensão refratária, como o da cabeleireira Silvia Martins, que enfrenta um quadro grave e múltiplos medicamentos, procedimentos como a denervação renal surgem como alternativas promissoras. Essa técnica reduz a atividade dos nervos que controlam a pressão arterial, porém ainda não está disponível no SUS. A ausência de incorporação do procedimento pelo sistema público e o custo elevado no setor privado limitam o acesso, obrigando pacientes a buscar vias judiciais para obter tratamento adequado.
Implicações para a saúde pública e perspectivas futuras
O enfrentamento da hipertensão no Brasil exige melhorias no rastreamento, diagnóstico e simplificação do tratamento para aumentar a adesão dos pacientes. A incorporação de combinações em comprimidos únicos e o acesso a novas tecnologias podem reduzir complicações graves como infarto e AVC. Além disso, campanhas de conscientização e capacitação dos profissionais de saúde são essenciais para identificar precocemente os casos e evitar a progressão da doença. Sem essas ações, a hipertensão continuará sendo um desafio significativo para a saúde pública nacional.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Rafaela Araújo/Folhapress










