Deputado pede que PGR apure eventual envolvimento e falhas na fiscalização bancária durante gestão do ex-presidente do Banco Central

Lindbergh Farias protocolou notícia-crime na PGR para investigar Roberto Campos Neto por omissão criminal no caso do Banco Master.
Pedido de investigação contra Campos Neto no âmbito do Banco Master
Em 4 de março de 2026, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) formalizou perante a Procuradoria-Geral da República (PGR) uma notícia-crime para que seja aberta investigação criminal contra Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central (BC). A solicitação visa apurar uma possível omissão dolosa na fiscalização bancária e indícios de que normas aprovadas durante sua gestão possam ter facilitado fraudes atribuídas ao Banco Master, instituição envolvida em esquema liderado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Revelações da Operação Compliance Zero e derrubada da supervisão
A terceira fase da Operação “Compliance Zero” revelou que ex-diretores do Banco Central, durante o período em que Campos Neto presidia a instituição, receberam propinas do ex-banqueiro Vorcaro, incluindo uma viagem à Disney. Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de fiscalização do BC entre 2019 e 2023, e Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, foram presos pela Polícia Federal nessa fase da operação. O ministro do STF André Mendonça destacou que esses funcionários atuavam como se fossem empregados do banqueiro. Souza havia autorizado a compra do Banco Máxima por Vorcaro, que passou a se chamar Banco Master.
Impactos e consequências institucionais da crise no Banco Central
Em decorrência dos fatos, os dois ex-diretores foram afastados de suas funções pelo atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, e impedidos judicialmente de exercer cargos na instituição. A gravidade do caso expõe deficiências estruturais e eventuais falhas na regulamentação bancária durante o governo anterior, que podem ter contribuído para o avanço das fraudes. A análise crítica inclui questionamentos sobre a eficácia da supervisão exercida pelo Banco Central no período e o nível de controle interno que permitiu o esquema criminoso.
Estrutura de intimidação e seus reflexos no setor financeiro
Além da corrupção, as investigações indicam que o grupo liderado por Vorcaro mantinha uma estrutura organizada para intimidar opositores, inclusive com ameaças e planos para simular um assalto contra figuras públicas, conforme mensagens encontradas no celular do banqueiro. O caso expõe uma rede complexa de ameaças e manipulações que ultrapassam o âmbito financeiro e impactam a segurança de profissionais e a confiança pública no sistema bancário.
Análise da legislação e normas editadas durante a gestão de Campos Neto
O pedido de Lindbergh inclui a apuração de normas específicas editadas durante a gestão de Campos Neto no Banco Central que podem ter facilitado práticas ilícitas no Banco Master. Esse aspecto abre frentes para avaliar mudanças regulatórias recentes e sua adequação à prevenção de fraudes e à manutenção da integridade do sistema financeiro. A investigação poderá indicar a necessidade de reformas e reforço na supervisão para evitar episódios similares.
Fonte: redir.folha.com.br





