O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, expressou sua indignação após o governo dos Estados Unidos cancelar os vistos de sua esposa e filha. Padilha classificou a medida como um “ato covarde” e questionou os motivos por trás da sanção, especialmente por atingir sua filha de apenas 10 anos. O ministro, que cumpre agenda em Pernambuco, tomou conhecimento da decisão por meio de sua esposa.
Padilha relacionou o cancelamento dos vistos a articulações de Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, junto a integrantes do governo americano. Segundo o ministro, o objetivo seria pressionar o Brasil, em particular o Supremo Tribunal Federal (STF), em relação ao julgamento de seu pai por suposta tentativa de golpe de Estado. A situação gerou forte reação do ministro, que criticou a postura do clã Bolsonaro.
“As pessoas que fazem isso e o clã Bolsonaro, que orquestra isso, têm que explicar. Não para mim, nem só para o Brasil, mas para o mundo inteiro: qual o risco de uma criança de 10 anos de idade pode ter para o governo americano?”, questionou Padilha em entrevista à Globonews. Ele ainda acusou o filho de Bolsonaro e seus aliados de manterem um “verdadeiro escritório do lobby da traição nos Estados Unidos”.
A medida ocorre em um contexto de tensões entre Brasil e Estados Unidos, após a revogação de vistos de funcionários do governo brasileiro ligados ao programa Mais Médicos. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, justificou a decisão alegando que os servidores teriam contribuído para um “esquema de exportação de trabalho forçado do regime cubano” através do programa.
Padilha, que era ministro da Saúde na época da criação do Mais Médicos em 2013, defendeu o programa e negou que o Brasil mantenha atualmente parceria com médicos cubanos. Ele questionou a seletividade das sanções, apontando que outros países mantêm acordos semelhantes sem sofrerem críticas ou retaliações. “Qual é a explicação para não ter qualquer tipo de sanção, qualquer crítica a esses outros países [que continuam com a parceria com os médicos cubanos]?”, indagou o ministro.










