Personagem icônico das embalagens de balas reflete a história e as transformações sociais da capital paranaense desde 1928

Zequinha, símbolo da Curitiba antiga, atravessa quase um século como patrimônio cultural, refletindo mudanças urbanas e sociais.
A trajetória histórica do personagem Zequinha em Curitiba
Zequinha patrimônio cultural Curitiba começou sua história entre 1928 e 1929, quando foi criado como uma estratégia comercial para impulsionar as vendas das balas produzidas pela fábrica A Brandina, dos irmãos Sobania. Naquela época, Curitiba era uma cidade de cerca de 100 mil habitantes, sem asfalto, com bondes e carroças circulando pelas ruas. O personagem, vestido com roupa azul e gravata-borboleta vermelha, rapidamente conquistou a população local e se tornou um símbolo da antiga Curitiba.
Diversidade e representatividade nas figurinhas do palhacinho
Ao longo de quase 100 anos, Zequinha patrimônio cultural Curitiba acumulou cerca de 1.200 figurinhas que retratavam o palhacinho em diversas profissões e situações urbanas, desde ferreiro até médico, astrônomo e lixeiro. O personagem foi desenhado por três artistas distintos: inicialmente pelo litógrafo Alberto Thiele, seguido por Paulo Carlos Rohrbach na década de 1940, e mais tarde por Nilson Muller a partir de 1979, que modernizou seus traços e incorporou valores contemporâneos de diversidade e respeito. Essas imagens não só divertiram gerações, mas também refletem as transformações sociais e urbanísticas da cidade.
Zequinha como fonte de pesquisa e memória de Curitiba
O impacto cultural de Zequinha ultrapassou o universo comercial, tornando-se objeto de estudo para pesquisadores como a historiadora Camila Jansen, que usou as figurinhas para investigar os efeitos da modernização e urbanização de Curitiba em seu doutorado. Seu trabalho resultou no livro “As Balas Zequinha e a Curitiba de Outrora”, que documenta a trajetória do personagem e a história da cidade. Além disso, o acervo do personagem está preservado na Casa da Memória de Curitiba, onde mais de 500 itens originais, incluindo cartelas de figurinhas e álbuns autografados, estão disponíveis para consulta pública e digital.
O papel da Casa da Memória na preservação do patrimônio cultural
Administrada pela Fundação Cultural de Curitiba, a Casa da Memória desempenha um papel fundamental na conservação e difusão de materiais que retratam a história local. O acervo de Zequinha representa não apenas uma coleção de objetos antigos, mas um patrimônio cultural significativo para a identidade da cidade. A instituição oferece acesso gratuito ao material para pesquisadores e a população em geral, promovendo o conhecimento sobre a evolução social e urbana de Curitiba.
O legado atual e os planos futuros para Zequinha
Após o falecimento do artista Nilson Muller, responsável pela fase modernizada do personagem, sua família tem mantido a guarda do legado de Zequinha. Ilustrações inéditas ainda não publicadas prometem continuar alimentando a memória e a cultura local. Katia Gebur Muller, nora do artista, planeja organizar uma curadoria para preservar e divulgar esse material, assegurando que Zequinha continue a ser reconhecido como um importante patrimônio cultural de Curitiba, honrando tanto o personagem quanto o criador.
Zequinha patrimônio cultural Curitiba é, portanto, uma janela para compreender as mudanças de uma cidade que cresceu e se modernizou, refletindo seus valores, desafios e história através de um personagem que atravessou gerações e continua vivo na memória coletiva.
Fonte: www.curitiba.pr.gov.br





