Proposta com apelo eleitoral visa garantir folga semanal maior e enfrenta resistência empresarial

Governo federal e Hugo Motta buscam acelerar a tramitação da PEC da 6×1, que altera jornada de trabalho e tem forte apelo eleitoral.
Confira a tramitação acelerada da PEC da 6×1 na Câmara
Início da semana: Indicação do relator da PEC da 6×1 pelo presidente Hugo Motta.
Final de março: Previsão para finalizar análise de admissibilidade na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Após CCJ: Encaminhamento para comissão especial com representantes de diversos setores políticos.
Maio: Expectativa para votação final da PEC.
O que muda com o fim da escala 6×1 e a proposta do PT
A PEC da 6×1 tem como objetivo principal eliminar a escala que concede apenas uma folga semanal ao trabalhador, uma medida com forte apelo eleitoral para as eleições de outubro de 2026. O presidente Lula e o deputado Hugo Motta lideram o esforço para aprovar a proposta. Para facilitar a aprovação, o PT aceitou concessões, como a adoção da escala 5×2, mantendo o salário integral e estabelecendo o limite de 40 horas semanais, diferente do limite original de 36 horas.
Resistência do setor empresarial e os desafios da aprovação
Apesar do empenho governamental, a proposta enfrenta oposição do setor empresarial, especialmente dos segmentos de comércio e serviços. Deputados como Luiz Gastão (PSD-CE) criticam a falta de estudos que embasem a medida e alertam para possíveis impactos negativos, como a desestruturação do setor produtivo, inviabilidade das escalas de revezamento e aumento nos custos para os empregadores. A estratégia empresarial é evitar que a proposta avance rapidamente, mas a pressão política tem mudado esse cenário.
Contexto político e o uso eleitoral da PEC da 6×1
A tramitação acelerada da PEC da 6×1 ocorre em um cenário político marcado pela proximidade das eleições de 2026. O governo federal e o presidente da Câmara utilizam a aprovação da proposta como uma ação com forte apelo popular para angariar votos. O envolvimento direto do ministro Guilherme Boulos e a articulação intensa de Hugo Motta indicam a relevância estratégica do tema para o PT e seus aliados.
Negociações e perspectivas de consenso na Câmara
Líderes do PT, como Pedro Uczai (SC) e Reginaldo Lopes (MG), têm buscado construir consenso ao aceitar a escala 5×2 com 40 horas semanais, considerando que essa flexibilização pode facilitar a obtenção dos votos necessários. Os parlamentares empenham-se em dialogar com empresários e setores produtivos, mas a resistência ainda persiste, sobretudo em serviços, onde a jornada é mais rígida. O debate legislativo deverá se intensificar, com estudos e audiências previstas para esclarecer impactos e viabilizar a aprovação da PEC.
Fonte: noticias.uol.com.br










