Pianista Luiz Mello recorda as emblemáticas noites de jazz no centro de São Paulo


Aos 88 anos, Luiz Mello revive experiências nas jam sessions das Folhas e revela detalhes sobre sua trajetória no jazz paulistano

Pianista Luiz Mello recorda as emblemáticas noites de jazz no centro de São Paulo
O pianista Luiz Mello, aos 88 anos, relembra momentos das jam sessions no centro de São Paulo. Foto: Acervo Folha/Folhapress

Luiz Mello, aos 88 anos, relembra as lendárias jam sessions das Folhas e sua trajetória no jazz no centro de São Paulo na década de 1960.

Luiz Mello e as jam sessions das Folhas no centro de São Paulo

O pianista Luiz Mello, aos 88 anos, revive com detalhes as jam sessions das Folhas, realizadas no auditório do jornal em São Paulo na década de 1960. Luiz participou de algumas dessas sessões, onde músicos como Meirelles, Maguinho e Hector Costita também se apresentavam. Ele lembra que a primeira edição dessas sessões ocorreu em 5 de dezembro de 1960 e foi registrada em um álbum de LP lançado em 1961. Essas apresentações foram palco para o jazz florescer no centro paulistano.

Formação e influência do saxofonista Casé na trajetória de Luiz Mello

Nascido em 18 de maio de 1937, em Monte Alto, Minas Gerais, Luiz Mello destaca a influência decisiva do saxofonista José Ferreira Godinho Filho, o Casé, com quem dividiu um quarto na juventude na cidade de Assis. Foi Casé quem apresentou a Luiz discos de Dave Brubeck e o estilo cool jazz, despertando seu interesse pela música. Essa convivência foi fundamental para sua formação, com aprendizado contínuo por meio da escuta e troca de conhecimentos.

Experiências nas casas noturnas e o papel do jazz no centro de São Paulo

Começando a tocar profissionalmente aos 17 anos no Clube de Paris, um conhecido inferninho do centro de São Paulo, Luiz recorda sua passagem por locais como a boate Michel, Teteia, A Baiuca e o Paddock. Nessas casas, executava variados estilos, incluindo jazz, bolero e samba, embora tivesse preferência pelo jazz. O músico ressalta que, na década de 1960, a atividade em casas noturnas era bem remunerada, chegando a garantir conforto como possuir carros novos.

Encontros memoráveis com músicos internacionais e a arte da improvisação

Luiz Mello relembra duas apresentações improvisadas marcantes com o guitarrista Jim Hall e o contrabaixista Ray Brown. Ele descreve como ambos apreciaram seu toque e ficaram tocando até altas horas, mesmo contra a vontade dos garçons das casas. Sobre o jazz, Mello define o improviso como um processo gradual e natural, onde o músico constrói um solo crescendo até um clímax, e destaca que o jazz é uma forma de composição instantânea, exigindo criatividade no momento da execução.

Visões críticas e preferências musicais dentro do universo do jazz

Com sinceridade, o pianista comenta sobre artistas do jazz que não aprecia, como John Coltrane, Dexter Gordon e Dave Brubeck, e expressa admiração por McCoy Tyner e Lee Konitz. Em relação aos músicos brasileiros, destaca uma postura crítica a Dick Farney por falta de originalidade, enquanto enaltece seu próprio estilo de tocar. Luiz também revela que é muito rigoroso com a harmonia, o que o torna um músico exigente para se acompanhar.

Continuidade e dedicação musical na maturidade

Mesmo com 88 anos, Luiz Mello continua ativo, dedicando-se ao estudo da guitarra, instrumento que exige menos esforço físico que o piano. Ele busca interpretar músicas com a técnica e o cuidado que sempre prezou, mantendo viva sua paixão pelo jazz e pela música em geral. A trajetória de Luiz reflete a importância da persistência e do aperfeiçoamento constantes no universo musical.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Acervo Folha/Folhapress


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