A proposta bilateral para combate ao crime organizado enfrenta impasse diplomático entre Estados Unidos e Brasil

Estados Unidos apontam atraso brasileiro na parceria anticrime, enquanto Brasil nega e diz que negociações seguem em curso.
Estados Unidos cobram resposta formal sobre parceria anticrime entre Brasil e EUA
A parceria anticrime entre Brasil e EUA enfrenta um impasse diplomático, com os Estados Unidos apontando que o governo brasileiro perdeu o prazo para responder a uma contraproposta enviada pelo Departamento de Estado, cujo vencimento ocorreu em 6 de fevereiro. Fontes da administração Trump indicam que o Brasil não respondeu formalmente a um documento com 11 pontos que exigia maior acesso a investigações e dados do Brasil, além de propor ações ampliadas para combater organizações criminosas radicadas em território norte-americano.
Negociações bilaterais seguem em curso, segundo diplomacia brasileira
O Itamaraty reconhece o recebimento do documento, mas afirma que as negociações permanecem em andamento. O governo brasileiro rejeita a ideia de simplesmente assinar uma proposta pronta enviada pelos EUA, defendendo que uma parceria madura deve resultar de múltiplas rodadas de diálogo e não de um acordo sem ressalvas. Um embaixador brasileiro ressaltou que os EUA tiveram atraso para responder a outras propostas brasileiras, como a relacionada ao tarifaço comercial, e questionou a cobrança de prazo pelos americanos.
Contexto e importância da parceria anticrime para Brasil e EUA
A iniciativa nasceu de uma proposta do presidente Lula durante telefonema com Donald Trump em dezembro, quando sugeriu focar no uso da inteligência para asfixiar financeiramente facções criminosas brasileiras, especialmente aquelas com atuação na Flórida, onde estariam envolvidos em lavagem de dinheiro para o tráfico de drogas. Essa parceria é prioritária para a atual Casa Branca, que tem como foco a luta contra a epidemia de fentanil e considera a América Latina uma área estratégica para segurança nacional. Para o Brasil, a cooperação visa não só combater o narcotráfico, mas também antecipar e evitar medidas unilaterais americanas que possam afetar a soberania nacional.
Impactos políticos e eleitorais da cooperação anticrime
O governo Lula enxerga a parceria como uma forma de reforçar o trabalho investigativo da Polícia Federal e consolidar sua posição na agenda de segurança pública, especialmente em ano eleitoral. Há ainda a percepção de que a cooperação pode contrabalançar a influência de grupos políticos brasileiros alinhados à direita americana, que tentam influenciar a relação bilateral. A expectativa é que a parceria contribua para fortalecer a imagem do governo frente ao eleitorado e para neutralizar críticas da oposição.
Expectativas e obstáculos para encontro de Lula e Trump na Casa Branca
Apesar do interesse manifestado por ambos os presidentes em avançar na cooperação, a visita de Lula aos Estados Unidos ainda não tem data definida. O presidente Trump planeja se reunir com aliados da direita latino-americana em Miami no início de março, evento para o qual Lula não foi convidado. Os auxiliares de Lula afirmam que o avanço na agenda de segurança depende do engajamento direto dos dois líderes, uma vez que o segundo e terceiro escalões diplomáticos têm criado dificuldades. O diálogo também está condicionado ao progresso em outras questões, como o tarifaço comercial, para evitar encontros infrutíferos.
A cooperação anticrime entre Brasil e Estados Unidos permanece em negociação, com desafios diplomáticos e políticos que exigem maturidade e diálogo entre as partes para a construção de um acordo eficaz e alinhado aos interesses de ambos os países.
Fonte: noticias.uol.com.br










