Projeto inova no rastreio do câncer de colo do útero no Parque Xingu

Iniciativa usa teste molecular e respeita cultura indígena para ampliar diagnóstico de HPV em Mato Grosso

Projeto inova no rastreio do câncer de colo do útero no Parque Xingu
Equipe realiza rastreio de câncer de colo do útero em comunidades indígenas no Parque Xingu

Projeto no Parque Indígena do Xingu utiliza teste molecular para rastrear câncer de colo do útero, respeitando cultura local e ampliando acesso.

Confira a programação das próximas expedições para rastreio no Parque Xingu

  • 2026 – Próximas três expedições: Visitas às aldeias remanescentes para ampliação do rastreio do câncer de colo do útero.

O avanço do rastreio de câncer de colo do útero no Parque Indígena do Xingu

O rastreio de câncer de colo do útero no Parque Indígena do Xingu, Mato Grosso, avança com um projeto inovador que utiliza o teste molecular RT-PCR para detectar o HPV, vírus responsável por quase 100% dos casos da doença. Liderado pelo médico Marcos Menezes e pela ONG Xingu+Catu, o programa visa atender as mulheres indígenas da região, respeitando suas especificidades culturais e ampliando o acesso ao diagnóstico precoce.

A importância da medicina culturalmente sensível no atendimento indígena

Marcos Menezes destaca que compreender a cultura local é essencial para o sucesso do rastreio. Em comunidades indígenas, práticas como a recusa à manipulação por médicos homens são respeitadas, e a autocoleta do material para o teste molecular reduz a exposição das mulheres, respeitando tabus e aumentando a aceitação do exame. Essa abordagem culturalmente adaptada é fundamental para fortalecer a efetividade do programa.

Tecnologia e integração para diagnóstico e acompanhamento

Além do teste molecular para HPV, as pacientes são submetidas a ultrassonografias cujas imagens são enviadas ao Hospital das Clínicas de São Paulo para análise e emissão de laudos. Essa integração tecnológica permite um diagnóstico preciso e acompanhamento qualificado, mesmo em áreas remotas do Parque Xingu, viabilizando o encaminhamento adequado para tratamento na rede pública local.

Impactos e perspectivas para a saúde pública indígena e metas globais

Com cerca de 40% das mulheres indígenas elegíveis já atendidas e 30% dos testes positivos para HPV, o projeto contribui para o monitoramento e prevenção do câncer de colo do útero em populações tradicionalmente vulneráveis. A iniciativa está alinhada às metas da Organização Mundial da Saúde para eliminar essa doença até 2030, combinando vacinação, rastreio molecular e políticas públicas de saúde pública, o que pode transformar o panorama epidemiológico nessas regiões.

Fonte: www1.folha.uol.com.br