PT rasga a Lei

Nos bastidores, o PT já decidiu que a lei eleitoral é um detalhe incômodo — não um limite real. No Carnaval de São Paulo, leques com o rosto de Lula, o número 13 e slogans de reeleição foram produzidos dentro da estrutura do próprio partido, a partir do gabinete da deputada Juliana Cardoso (PT‑SP), e distribuídos em blocos como o Tarado Ni Você e o Bloco dos Bancários, no centro da capital.

Não foi ato espontâneo. Foi ação planejada, financiada e executada com objetivo explícito: iniciar a campanha de Lula antes da hora. Sem pudor, sem disfarce e sem qualquer respeito ao calendário eleitoral que o próprio PT costuma exigir com fervor quando se trata de seus adversários.

Foto: Hyndara Freitas/O Globo

O lulismo opera com uma certeza perigosa: a de que as regras existem para conter os outros, nunca a si mesmo. Avança, ocupa, distribui material e aposta na velha tática da impunidade — transformar o ilegal em fato consumado e constranger qualquer reação.

É o retrato de um partido que já não se preocupa em respeitar a lei, apenas em dobrá‑la até que se adapte aos seus interesses. Para o PT, a eleição nunca termina. E a lei, quando atrapalha, simplesmente deixa de valer.

Foto: Hyndara Freitas/O Globo