Cotas ampliam acesso na medicina, mas dificultam residência médica, revela estudo


Pesquisa da USP aponta que cotistas têm 27% menos chance de ingressar na residência, apesar da maior diversidade na graduação

Cotas ampliam acesso na medicina, mas dificultam residência médica, revela estudo
Estudantes de medicina em sala de aula durante aula prática

Estudo da USP mostra que cotas ampliam acesso à graduação em medicina, mas reduzem em 27% as chances na residência médica.

Cotas ampliam acesso na medicina, mas impacto na residência médica é limitado

O estudo divulgado em 2026 pela Universidade de São Paulo (USP) revela que as cotas ampliam acesso na medicina, especialmente em universidades públicas, mas não garantem a entrada na residência médica. Mario Scheffer, professor da USP e um dos responsáveis pela pesquisa, aponta que, apesar do aumento da diversidade racial e social entre estudantes beneficiados por cotas, esses profissionais têm 27% menos chance de ingressar na residência em comparação aos demais.

Perfil dos estudantes beneficiados pelas políticas afirmativas

Segundo a pesquisa, 28,1% dos formandos nas universidades públicas ingressaram por cotas raciais, sociais ou de renda, com 49,8% se declarando pardos e 12,1% pretos. A grande maioria veio de escolas públicas, o que demonstra o alcance social das cotas. Nas instituições privadas, 44,5% dos estudantes receberam apoio financeiro, como bolsas do Prouni ou financiamento pelo Fies, evidenciando um perfil mais diverso em relação aos alunos sem auxílio.

Diferenças no ingresso em residência médica entre cotistas e não cotistas

A análise mostra que 55,7% dos egressos da amostra conseguiram ingressar na residência médica, com uma taxa de 62,8% entre formandos de universidades públicas. Contudo, essa taxa cai para 52,8% entre cotistas dessas instituições. Nas faculdades privadas, o padrão é inverso: estudantes com apoio financeiro têm 23% mais chance de ingressar em residência do que os que não receberam auxílio. Essas diferenças persistem mesmo após ajustes por fatores socioeconômicos e acadêmicos.

Explicações para a menor chance de residência entre cotistas

Mario Scheffer sugere que a menor chance de cotistas em universidades públicas pode estar ligada a questões econômicas, pois muitos precisam ingressar rapidamente no mercado de trabalho, desistindo da residência. Além disso, esses estudantes frequentemente são os primeiros da família a concluir o ensino superior, enfrentando maior pressão para contribuir financeiramente, o que compromete a progressão na carreira médica.

Impacto das políticas afirmativas sobre a escolha das especialidades

O levantamento também identificou que beneficiários das cotas tendem a escolher especialidades voltadas para áreas socialmente vulneráveis, como medicina de família e comunidade. Entre os cotistas das universidades públicas, 15,3% optaram por essa especialidade, contra 9,7% dos não cotistas. Essa tendência pode trazer benefícios estratégicos para o sistema de saúde brasileiro, que carece de especialistas nessas áreas.

Contexto da formação médica no Brasil e desafios futuros

Atualmente, cerca de 70% dos formandos em medicina são de instituições privadas, enquanto o número de vagas em residências não acompanha o crescimento dos cursos. Em 2024, aproximadamente 47,7 mil médicos estavam matriculados em residência, um sistema competitivo financiado majoritariamente com recursos públicos. O estudo reforça que políticas de cotas e apoio financeiro devem ser vistas como estratégias complementares para promover inclusão e garantir a continuidade da formação médica especializada.

Fonte: www1.folha.uol.com.br


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