Do plenário ao inferninho, o verdadeiro retrato dos 46 anos do PT

O PT comemorou seus 46 anos com a coerência que o define. Em Brasília, ocupou o plenário da Câmara e transformou uma sessão solene em ato de exaltação pessoal. Gleisi Hoffmann, ministra de Estado, puxou o samba-enredo em homenagem a Lula, convertendo a tribuna institucional — paga pelo contribuinte — em palco de devoção partidária. Por alguns minutos, o governo deixou de governar para se celebrar.

Mas foi em Curitiba que o partido mostrou sua versão mais sincera. Segundo revelou o Blog do Tupan, a comemoração ocorreu em um bar no Água Verde, com clima típico de “inferninho” — ambiente apertado, informal e sem qualquer pretensão institucional. Ali, sem os lustres do Congresso e sem o disfarce da liturgia oficial, o PT apareceu em sua forma mais autêntica: um partido permanentemente em campanha, celebrando o próprio poder.

O contraste é brutal. Em Brasília, encena grandeza sob o rito formal. No inferninho, revela sua essência sem maquiagem. Dois cenários diferentes, mesma prática: tratar o Estado como extensão do partido e o partido como extensão do líder.

No fim, Gleisi não exagerou. Apenas foi coerente. O PT já não distingue governo de militância. Seja no plenário ou no inferninho, o importante é manter a festa — mesmo que o país não esteja no mesmo ritmo.