Durante sua viagem ao Japão nas últimas semanas, o senador Sergio Moro teve tempo de sobra para absorver um dos conceitos mais conhecidos da cultura japonesa: Shikata ganai — algo como “não há o que fazer”, a aceitação resignada diante do inevitável. A ironia é que, politicamente, essa filosofia parece descrever com precisão desconfortável o momento vivido por Moro no Paraná.
Líder nas pesquisas para o governo do Estado, Moro descobre que intenção de voto não assina ficha nem garante posse no Palácio Iguaçu em 1º de janeiro. Entre o desejo e a realidade, há um caminho repleto de obstáculos — muitos deles dentro da própria casa.

A federação que sustenta seu mandato, formada por Progressistas e União Brasil, não chegou a um acordo sobre sua candidatura. Pior: o Progressistas já avisou, sem rodeios, que não assina a ficha de homologação. Sem partido, não há candidatura. Simples assim.
O grande fiador político de Moro, o presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, parece hoje mais ocupado em resolver pendências ligadas ao Banco Master e à Rioprev, onde mantém influência há anos, do que em arbitrar uma disputa estadual que exige pulso firme e dedicação total.
Para completar o cenário, outro aliado relevante, Davi Alcolumbre, ensaia uma reaproximação com Lula e o PT — justamente em pleno período pré-eleitoral. O recado é cristalino: Moro já não é prioridade nem consenso.
Assim, enquanto o senador retorna do Japão liderando pesquisas, mas cercado de indefinições, o ensinamento do Shikata ganai deixa de ser filosofia distante e passa a soar como diagnóstico político. Nada parece conspirar a favor. E, no tabuleiro real da política, aceitar que “não há o que fazer” costuma ser o primeiro passo para ficar pelo caminho.
Nada, absolutamente nada, parece bom para o senador.





