O Dilema de Fachin

A volta do STF hoje, com discurso de Edson Fachin, acontece sob um clima de pressão máxima. Não há espaço para gesto neutro. Qualquer palavra, pausa ou ausência de sinal será lida como escolha política.

Foto:Cristiano Mariz/VEJA

Se Fachin tentar falar para dentro, buscando pacificar um Supremo dividido, será acusado de recuar diante da crise e varrer o conflito para debaixo do tapete. Se falar para fora, defendendo pautas como o Código de Conduta, que já incomoda parte da Corte, aprofundará o isolamento interno e ampliará o desgaste público.

E se optar pelo silêncio elegante ou pelo discurso técnico, “em cima do muro”, o efeito será igualmente explosivo. Em um STF tensionado, neutralidade não é prudência — é omissão.

O fato é simples: qualquer caminho escolhido por Fachin será interpretado politicamente. No Supremo atual, até o silêncio faz barulho.