Escolas cívico-militares iniciam ano letivo em São Paulo sem entrega de uniformes


Programa lançado pelo governo Tarcísio de Freitas enfrenta atrasos e começa atendendo 53 mil alunos sem as vestimentas oficiais

Escolas cívico-militares iniciam ano letivo em São Paulo sem entrega de uniformes
Alunos participam das atividades em escola cívico-militar na rede estadual de São Paulo. Foto: Danilo Verpa

Escolas cívico-militares em São Paulo começam o ano letivo sem uniformes devido a atrasos na licitação, atendendo 53 mil alunos com regras rígidas de vestimenta.

Programa escolas cívico-militares começa sem uniformes na rede estadual paulista

As escolas cívico-militares iniciaram suas atividades em São Paulo no dia 2 de fevereiro de 2026, marcando o início do ano letivo sem que os uniformes fossem entregues aos alunos, conforme previsto pelo governo Tarcísio de Freitas. O programa, que atende atualmente cerca de 53 mil estudantes em cem unidades, teve seu início adiado em um ano devido a decisões judiciais e problemas no processo licitatório. Renato Feder, secretário de Educação, destacou que o pregão para compra dos uniformes ainda está em fase de finalização, o que impactou diretamente a entrega das peças essenciais para a padronização dos alunos.

Detalhes da licitação para aquisição dos uniformes e problemas enfrentados

O processo de compra dos uniformes começou em abril de 2025, com um valor estimado em R$ 57,6 milhões para a aquisição de aproximadamente 1,2 milhão de peças. O edital previa que cada aluno receberia duas camisetas de manga curta, duas calças, um casaco e duas bermudas nas cores azul e branco, mas quatro modelos de camisetas foram desclassificados por não atenderem às especificações técnicas exigidas. Esses entraves técnicos atrasaram a conclusão do pregão, impedindo a entrega das roupas antes do início das aulas. A secretaria de Educação confirmou que o processo segue em andamento para garantir a qualidade e adequação dos uniformes.

Regras de vestimenta e orientações para os pais enquanto uniformes não chegam

Enquanto a entrega dos uniformes não ocorre, algumas escolas vêm orientando os pais sobre o padrão de vestimenta que os alunos devem seguir. Em Osasco, por exemplo, a escola estadual Professor Gastão Ramo proibiu o uso de calças jeans, recomendando calças pretas de moletom, sarja, tactel ou helanca, e camisetas cinza. Além disso, as normas internas exigem que as meninas mantenham os cabelos presos e os meninos adotem cortes curtos. Itens como bonés, piercings e roupas curtas estão proibidos. Essas regras fazem parte do regimento das escolas cívico-militares e refletem o padrão disciplinar esperado pelo programa.

Contratação de policiais militares aposentados e impacto financeiro para as unidades

O programa prevê a atuação de 208 policiais militares aposentados, que foram contratados para atuar nas unidades selecionadas. Esses profissionais receberão uma diária de R$ 301,70, podendo totalizar cerca de R$ 6 mil mensais caso cumpram a carga máxima de 40 horas semanais, valor 8% superior ao piso salarial dos professores da rede estadual, que exige formação superior. O custo adicional para as escolas com esse pagamento será de aproximadamente R$ 17 milhões ao ano. A maioria dos policiais contratados são praças, militares de menor patente sem a exigência de ensino superior, o que reforça a natureza de apoio disciplinar e de segurança do programa.

Análise do programa e sua prioridade na gestão do governo Tarcísio de Freitas

Apesar de ser uma iniciativa com forte apelo político junto à base bolsonarista, o programa de escolas cívico-militares não tem sido tratado como prioridade pela equipe de Educação. Em evento de lançamento do projeto em maio de 2024, o secretário Renato Feder não compareceu, evidenciando uma distância da gestão em relação à iniciativa. O programa enfrenta desafios estruturais, como atrasos na licitação, custos elevados e controvérsias sobre a efetividade do modelo. Esses fatores indicam que o programa ainda terá que superar obstáculos para consolidar-se como uma estratégia educacional na rede estadual paulista.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Danilo Verpa


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