Defensores da remigração querem implementar órgão migratório à semelhança do ICE americano, minimizando mortes e ampliando repressão

Movimentos de ultradireita na França defendem a adoção do ICE, órgão de imigração americano, e minimizam mortes causadas em operações.
Polêmica em torno da adoção do ICE na França ganha força em 2026
A adoção do ICE na França surge como proposta central da ultradireita em 2026, enquanto o país enfrenta um crescimento de 3% na população estrangeira com visto permanente, chegando a 4,5 milhões. Líderes como Éric Zemmour, do partido Reconquista, defendem a criação de um órgão migratório semelhante ao americano, enfatizando a necessidade de dureza contra imigrantes clandestinos. Zemmour declarou que, embora seja preciso adaptar o ICE às estruturas francesas, a política deve ser “impiedosa”.
Declarações de Marion Maréchal e minimização das mortes em operações
Marion Maréchal, do partido Identidade-Liberdades, evitou criticar o ICE pelas mortes de dois civis americanos, classificando-as como “acidentes infelizes” causados por “militantes de extrema esquerda” que atrapalham ações policiais. Maréchal é sobrinha de Marine Le Pen, líder do maior partido de ultradireita francês, a Reunião Nacional, que prepara candidatura para as eleições presidenciais de 2027. Nas redes sociais, grupos supremacistas brancos também manifestam apoio explícito à implantação do ICE na França.
A controvérsia do termo “rafles” e o discurso de repressão exacerbada
O advogado Arno Klarsfeld, filho de caçadores de nazistas renomados, surpreendeu ao defender operações em massa semelhantes às promovidas pelo ICE na era Trump, usando o termo francês “rafles”, que remete às prisões em massa de judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Essa escolha de palavras reacende debates sobre os limites da repressão migratória e os ecos históricos que cercam o tema na França.
Mudanças nas políticas de imigração e impacto na regularização
Em 2025, quase 25 mil imigrantes foram expulsos da França, enquanto o número de ilegais regularizados caiu 10%, refletindo o endurecimento das condições para acesso à cidadania e visto permanente. O ministro do Interior Bruno Retailleau implementou provas mais rígidas, incluindo teste de francês e avaliação cívica com perguntas sobre história e valores da República. Essas medidas visam atender a um eleitorado mais conservador e anti-imigração.
Repercussões políticas e posicionamentos diante das eleições presidenciais de 2027
Marine Le Pen tem adotado um discurso mais cauteloso, evitando associação direta com Donald Trump, devido à percepção negativa do presidente americano pelo público francês. Jordan Bardella, seu pupilo e possível candidato alternativo, justifica elogios a Trump em função da defesa do interesse americano. O debate sobre a adoção do ICE na França segue como tema polarizador, com implicações profundas para o futuro das políticas migratórias no país.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Stephane de Sakutin/AFP










